Mudanças no calendário de vacinação confundem pais

Por FABIANA FUTEMA

Os pais que tentam manter em dia a carteira de vacinação dos filhos se deparam com orientações diferentes sobre a aplicação da tetraviral (sarampo, rubéola, caxumba e catapora). Essa vacina entrou no calendário nacional de imunização em setembro deste ano, quando passou a ser distribuída gratuitamente nos postos de saúde.

Antes, os postos ofereciam apenas a tríplice viral (sem a catapora) e quem quisesse a imunização contra a varicela tinha de recorrer às clínicas particulares, que cobram cerca de R$ 150 pela vacina.

Para começar a confusão existem dois calendários de vacinação: o nacional _disponível no SUS_ e o da Sbim (Associação Brasileira de Imunizações) _seguido pelas clínicas particulares. Quase todas as vacinas já são oferecidas hoje na rede pública, mas com variações de abrangência e quantidade de reforços.

O calendário nacional prevê a aplicação da tríplice aos 12 meses e da tetra aos 15 meses _nesse caso há apenas uma dose da vacina contra varicela.

Na rede particular, a recomendação anterior era aplicar a tetra aos 12 meses e depois aos 4/5 anos  _duas doses contra a varicela. Com a chegada da tetra aos postos, a Sbim passou a indicar a tetra aos 12 e entre 15/24 meses.

Ou seja, os pais que aplicaram a vacina na rede particular foram informados que a segunda dose da tetra foi adiantada.

A presidente regional da Sbim-RJ, Isabella Ballalai, membro da comissão de calendários de vacinação da entidade, diz que só a tríplice foi adiantada, pois a varicela já havia sido antecipada em 2012. “Não há problema em antecipar a tríplice. A varicela foi adiantada porque percebemos um risco maior da doença ocorrer para quem esperasse para vacinar com 4 anos.”

Ela admitiu que a antecipação da tríplice ocorreu em função do calendário nacional, que introduziu a tetraviral nos postos aos 15 meses.

E os pais que aplicaram a primeira dose da tetra nos postos particulares aos 12 meses? Levei meu filho ao posto do Cambuci na segunda-feira passada (29/09) e lá me disseram que ele só podia tomar a tríplice, pois a tetra seria aplicada em dose única. No mesmo dia fui a um clínica particular para que ele antecipasse a segunda dose da varicela, e a médica disse que não entendia por que o posto havia recusado a vacina em meu filho.

Achei que o tema valia um post depois da pediatra Ivani Mancini questionar a antecipação do calendário. “O intervalo entre a primeira e a segunda dose da tetra ficou muito curto, só três meses, não tem muita lógica.”

Mudança de rota

Na quinta-feira passada, o Ministério da Saúde informou que as crianças vacinadas na rede particular com a tetra também teriam direito à vacina no SUS.

Mas o procedimento ainda não havia sido repassado às secretarias de Saúde. Helena Sato, diretora de Imunização da Secretaria Estadual de Saúde, disse que a mudança havia acabado de ocorrer e que a recomendação seria repassada aos postos.

Críticas e cuidados

Ivani diz que recomenda aos pacientes que podem pagar pela vacina que apliquem a primeira dose da tríplice (aos 12 meses) separadamente da varicela. “A vacinação conjugada, nessa idade, pode apresentar maior risco de efeitos colaterais, como convulsão febril.”

Aos pais que optarem por separar a vacina (tríplice + varicela), a orientação é que ela seja feita no mesmo dia ou com o intervalo de 30 dias entre uma e outra.

Isabela, da Sbim, diz que o intervalo entre a primeira e a segunda dose da varicela tem de ser de no mínimo três meses.

Futuro

Pediatras também criticam o fato do governo não ter introduzido a segunda dose da vacina contra varicela no calendário nacional.

Em nota, o Ministério da Saúde informa que “após esta fase de implantação da tetraviral […] irá monitorar a situação epidemiológica da varicela para definir o melhor período para a inclusão no calendário de uma segunda dose da vacina com o componente varicela”.