Mulheres mostram as ‘marcas’ da maternidade

Por Giovanna Balogh

A gestação muda – e muito – as nossas formas e curvas. As marcas da maternidade podem ser as mais diferentes possíveis. Estrias, seios caídos, barriga flácida, a cicatriz de uma cesárea desejada ou não, enfim, a maternidade é transformadora em todos os sentidos.

Segundo médicos e obstetrizes, o corpo da mulher demora até um ano para voltar ao ‘normal’ após um parto. Antes disso, não adianta buscar milagres nem se sentir ‘menos mulher’ ao ver aquela famosa postar nas redes sociais uma foto com barriga chapada 15 dias depois de ter um filho.

A prioridade da mulher no pós-parto deve ser cuidar daquele serzinho que depende exclusivamente dela e fugir dos esteriótipos de beleza. A amamentação, sem dúvida, é a melhor forma de perder peso de forma natural, orientam os médicos. Mas, uma coisa é certa: nosso corpo –e  até a nossa alma – nunca será como antes.  E quer saber de uma coisa? Que bom…

Mulheres anônimas ou não têm participado do projeto “Birth Marks – Marcas de Nascença”, divulgando suas fotos em um grupo criado pelo Facebook. Fotos profissionais ou auto-retratos feitos de forma amadora, com o uso até de celulares, são postadas com pequenos relatos dessas mães sobre as suas experiências pós-maternidade.

A ideia é uma só: mostrar que somos humanas. A fotógrafa Leticia Valverdes, 41, resolveu fotografar mulheres de verdade, de carne e osso. “Na era do Photoshop, é um desafio mostrar a mulher sem maquiagem, sem manipulação e pós-produção. São mulheres orgulhosas dos  corpos que fabricaram, carregaram e alimentaram outros seres humanos”, diz Letícia, mãe de três crianças.

O projeto começou em abril deste ano quando Leticia resolveu se auto-fotografar. Depois, chamou uma amiga e o projeto passou a crescer. Ao reunir imagens na página do Facebook, a fotógrafa pretende nos próximos meses fazer seções fotográficas com as colaboradoras do projeto. “Queremos futuramente fazer uma exposição e um livro reunindo as histórias e as fotos”, conta.

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Em julho deste ano, a fotógrafa americana Jade Beall também ficou conhecida ao fotografar mães com suas ‘imperfeições’ e seus filhos. Ela também deve lançar no próximo ano um livro com as imagens feitas sem qualquer retoque.

A parceira do projeto de Letícia, a autônoma Anna Gallafrio, 32, foi fotografada com a filha Corinna quando ela tinha seis dias de vida. Para ela, é preciso “vestir com orgulho nossa pele de mãe”. “Dói pacas ver a barriga amolecer, o seio cair, o cabelo mudar…Mas, isso é só parte da mudança toda. O bem estar físico e emocional deve sustentar tudo isso. Não estou falando de desleixo com o corpo, mas ressaltando que nossa pele é nossa história”, diz Anna, que também é mãe de Mattias, 3.

A obstetriz Ana Cristina Duarte, do Gama (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa), diz que a atividade física durante a gestação ajuda na recuperação do pós-parto. “A gestante pode continuar fazendo todo tipo de exercício que já fazia antes, se estiver com uma gestação saudável”, explica.

Ela diz que quem não fazia exercício antes de engravidar também não deve ficar parada e que pode caminhar, fazer musculação, dança, hidrogiinástica ou  outra atividade desde que supervisionada por um profissional. Ela comenta que só não pode se exercitar a mulher com ameaça de aborto ou de parto prematuro.

Após o parto, as atividades físicas só devem ser feitas, no mínimo, após seis semanas do parto. “Antes desse período, o ideal é se dedicar aos cuidados com o bebê e a amamentação, mas já é possível fazer caminhadas ao ar livre. Para execícios de impacto, o ideal é aguardar a alta médica. Em algumas situações pode levar até dois meses.”

Apesar dos benefícios dos exercícios, Ana Cristina ressalta que a maioria das mulheres não voltará a ter o ‘corpo de solteira’. “Não é natural que permaneçamos iguais com o passar do tempo e dos esforços da vida. Ser mãe é um upgrade na vida. Pergunte a qualquer mãe se ela trocaria a vida que leva por uma de solteira sem filhos e com o corpo de outrora”, comenta.

E você, preferia o corpo de antes e não ter a cria para chamar de sua?

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