Marcha do parto humanizado reúne 400 mães e bebês em SP

Por Giovanna Balogh

Cerca de 400 pessoas, segundo estimativa da PM, participaram na manhã deste sábado (19) da Marcha pela Humanização do Parto realizada na avenida Paulista, em São Paulo. O evento, organizado pelas redes sociais, foi realizado simultaneamente em outras 35 cidades.

O objetivo da manifestação era alertar sobre as represálias que têm sofrido profissionais da saúde que priorizam o parto normal e humanizado dentro de hospitais.

Mulheres com carrinhos ou com bebês pendurados em slings (carregadores feitos de pano) levavam cartazes com frases como “nasci em casa” ou “parto com respeito”. Os manifestantes também cantavam músicas como  “Doutor, você não me engana. Você só faz cesariana” em uma crítica aos altos índices de cesáreas no país.

O Brasil tem uma das taxas mais altas de cesáreas do mundo, chegando a 90% no setor privado e quase 50% no setor público. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), essa taxa deveria ser de até 15% de cesáreas, ou seja, somente quando a cirurgia é indicada e necessária.

Alunos e recém-formados no curso de obstetrícia da USP (Universidade de São Paulo) também estiveram na marcha. Formado em julho, Rafael Marques de Almeida, 22,  disse que lamentavelmente no Brasil o ‘normal’ é ter cesárea. “As mulheres devem parir do jeito que merecem, com respeito, como é em qualquer lugar do mundo”, afirma.

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Pacientes da médica obstetra Andrea Campos, que foi descredenciada no início do mês do hospital São Luiz, também participaram da manifestação. Elas reclamam por não terem onde parir já que a unidade é uma das poucas com salas humanizadas para a mulher dar à luz. Nesses espaços, a grávida conta com banheira, som ambiente, luz diferenciada e pode estar acompanhada do marido e de uma doula (mulher que dá suporte para grávida antes, durante e após o parto).

Grávidas na reta final foram pegas de surpresa e dizem que esperam que o hospital reveja a decisão o quanto antes . Questionado sobre o motivo do descredenciamento, o hospital enviou uma nota onde diz apenas que o cadastro da médica “encontra-se temporariamente suspenso, para apuração de fatos que estão sob sindicância pela Comissão de Ética Médica” do hospital. O São Luiz disse ainda que é pioneiro na prática de parto humanizado.

O protesto também pediu que seja julgada a ação civil pública de 2010 onde o Ministério Público Federal pede que a Justiça Federal condene a ANS (Agência Nacional de Saúde) a regulamentar os serviços obstétricos realizados por planos de saúde privados. O objetivo é que a regulamentação leve a uma diminuição ou evite a realização de cirurgias cesarianas desnecessárias.