Crianças de 1 a 4 anos lideram internações em SP por intoxicação e envenenamento

Por FABIANA FUTEMA

Crianças de 1 a 4 anos lideraram o ranking de internações por intoxicações e envenenamento em São Paulo no período de janeiro a agosto de 2013. Dos 309 casos registrados no Estado neste período, mais da metade (165) atingiram crianças dessa faixa etária, segundo levantamento da ONG Criança Segura com base em dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (Sistema Único de Saúde).

O motivo que mais causou a hospitalização dessas crianças foi a exposição a substâncias nocivas, como medicamentos ou produtos de limpeza.

Por gênero, a pesquisa mostra que os meninos representaram 60% dos casos de hospitalização por envenenamento no Brasil de janeiro a agosto deste ano.

Outro dado alarmante, considerando dados nacionais do Datasus, é que as crianças de 1 a 4 anos corresponderam a 56% (40 casos) das mortes decorrentes por intoxicação ou envenenamento de 2011.

A coordenadora nacional da ONG Criança Segura, Alessandra Françoia, diz que a principal forma de prevenção é não deixar substâncias perigosas ao alcance das crianças. “Ela não deve ter acesso a esses produtos.”

Outra recomendação é não confundir a criança, como aproveitar embalagens de refrigerante para armazenar produtos de limpeza, por exemplo. “Não se deve guardar medicamentos e produtos de limpeza com alimentos, por exemplo. Isso confunde.”

Ela diz que os pais também não devem dar remédio para a criança dizendo que aquilo é gostoso. “É preciso saber que medicamento não é comida, só é tomado em determinadas situações.”

Alessandra orienta os pais a sempre tentarem explicar aos filhos que não devem tomar produtos de limpeza ou medicamentos.

A ONG Criança Segura lembra que a notificação pelos postos de saúde de hospitalizações por envenenamento é obrigatória por lei, pois ajuda no controle e prevenção dos riscos.

O que fazer se acontecer?

Mas o que fazer se o pequeno beber ou inalar uma substância tóxica? A ONG recomenda manter perto do telefone de casa ou na agenda do celular os números de emergência do Samu (192)  e Corpo de Bombeiros (193).

Também é possível ligar para o Ceatox (Centro de Assistência Toxicológica) da sua cidade para saber o que fazer em caso de intoxicação ou envenenamento. Ao ligar, tente informar idade e peso da criança, como foi o contato com o produto, há quanto tempo foi a exposição, os sintomas e dados do produto (tenha a embalagem em mãos). Na capital paulista, o telefone do Ceatox é 0800-0148110.

Também existe o Disque-Intoxicação (0800-722-6001) da Renaciat (Rede Nacional de Centros de Informação e Assistência Toxicológica), presente em 19 Estados.

O pediatra e toxicologista do Ceatox Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Anthony Wong, diz que os pais não devem vômito ou dar leite para a criança que ingeriu alguma substância nociva. “Isso pode piorar a situação e aumentar a gravidade do problema”, explica.

Espaço para relato pessoal

Quem acompanha o blog sabe que sou mãe do Kazuo, um menino que está completando 1,9 ano. Acontece que o garoto é dado a ingerir sabonete líquido, hidratante, repelente, pomada para assadura, pasta de dente e o que mais cair em suas mãos.

Toda vez que ele tenta beber/comer uma dessas substâncias, eu arranco o produto da mão dele e digo que não pode. Mas ele é um desafiador e tenta comer essas substâncias só para me provocar (deduzo isso pelo sorrisinho e pelas tentativas ocorrerem sempre na minha frente).

Só que vacilei uma vez: enquanto trocava a fralda não vi ele abrir e entornar quase um tubo de repelente baby. São muito ligeiros. Fiquei desesperada. Estava sozinha, não sabia a quem recorrer. Apelei ao dr. Google e achei o telefone do Ceatox. Descrevi o episódio, disse quais eram as subtâncias presentes no repelente pelo rótulo (ô letrinha minúscula).

A atendente disse que verificariam se havia alguma toxicidade e retornariam depois. Mas que enquanto isso não era para forçar vômito nem dar leite. No máximo, dar muito água e não deixá-lo dormir. Ligaram logo em seguida e disseram que o repelente que ele tomou não causava envenenamento. Ufa!

Conto isso só para tentar mostrar como eles são ligeiros. Tive sorte, mas o susto foi enorme. Depois disso, coloquei trava em quase todas as gavetas da casa e escondi quase todo o cardápio que faz a cabeça do Kazuo da vista dele.

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