Saiba como falar da separação com os filhos e identifique sinais de sofrimento

Por FABIANA FUTEMA

Não é fácil para um casal passar pela separação. Ninguém casa querendo se divorciar, muito menos tem filhos pensando que a relação acabará. Se para adultos é difícil, o cuidado para tratar do assunto com as crianças deve ser redobrado.

Um dos cuidados a serem observados é com a forma de dar a notícia para o filho. Não é no meio de uma discussão e aos berros que a criança deve ser informada da separação.

A psicoterapeuta Val Alves de Mira recomenda que os pais chamem o filho para uma conversa calma, sem brigas. “Nesta conversa, o casal não deve culpar um ao outro pela separação. E devem deixar claro que a criança não tem nenhuma culpa pela situação.”

É comum que algumas crianças se sintam responsáveis pelo fim do casamento dos pais. “Até os 4 anos, a criança ainda não entende bem a separação dos pais. Dos 5 aos 6 anos,  tendem a fantasiar como algo temporário, podendo, às vezes, sentirem-se culpadas. Já as crianças em idade escolar e adolescentes terão maior facilidade para compreender a situação”, diz Ana Maria Costa da Silva Lopes, do departamento de desenvolvimento e comportamento da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).

A pediatra diz que é importante ficar claro que a separação é do casal, não dos laços familiares. Segundo Val, os pais devem dizer que a criança continuará sendo amada e terá sempre contato com os dois.

Sinais

Um dos maiores medos dos pais que se separam é com a reação dos filhos. No entanto, Val diz que nem todo fim de casamente vem acompanhado de traumas e sofrimento. “Muitas vezes, a criança percebe que a casa fica mais tranquila e os pais mais felizes separados”, afirma a psicoterapeuta.

Para Ana Maria, “quanto mais tranquila e bem definida a decisão  de separação, menor será o sofrimento dos filhos”. “Não há separação que não gere perdas que repercutem tanto para o casal quanto nos filhos.”

Mas as especialistas alertam para eventuais sinais de que a situação está prejudicando a criança. “Os pais devem ficar atentos se perceberem a presença de comportamentos agressivos, tristeza, alterações do sono, mudança do desempenho escolar”, diz Ana Maria.

“Há uma mudança de situação, a perda da convivência com um dos pais no mesmo espaço físico. É importante avaliar a capacidade de adaptação da criança a essa nova situação.”

Depois de separados, o comportamento dos pais pode ajudar a criança a se adaptar mais facilmente à nova situação. “É recomendável não brigar nem discutir na frente dos filhos. E nunca fale mal do ex-marido ou da ex-mulher para a criança”, diz a psicoterapeuta.

Ela orienta que os familiares que têm contato com a criança sejam instruídos a agir da mesma forma. E o contato com tios, primos e avós deve ser mantido, independentemente de quem ficar com a guarda do filho.

“A maneira como os pais conduzem a separação influencia diretamente na forma como os filhos irão lidar com a situação”, afirma Val.

Números

Dependendo da idade do seu filho, é bem provável que ele tenha amigos com pais separados. Segundo o IBGE, foram registrados 351.153 divórcios no Brasil em 2011, um aumento de 45,6% em relação a 2010. Com isso, a taxa de divórcio foi de 2,6 para cada mil habitantes, a maior já verificada desde o início da psquisa, em 1984.

Na divulgação desses números, o IBGE atribuiu o aumento à mudança da legislação, que reduziu a burocracia para os casais se divorciarem.

 

Especialistas orientam pais a não falarem mal do parceiro para o filho (Crédito: Schutterstock)
Especialistas orientam pais a não falarem mal do parceiro para o filho (Crédito: Schutterstock)