Mulheres buscam cursos para se reencontrarem no pós-maternidade

Por Giovanna Balogh
Mulheres durante curso de imagem pessoal; bebês de colo podem ir com a mãe (Foto: Carla Raiter - Fotografia)
Mulheres durante curso de imagem pessoal; bebê de colo pode ir com a mãe (Foto: Carla Raiter)

Que a maternidade transforma não há dúvidas. Além do corpo, nossa mente não é mais a mesma. Nesse turbilhão de dúvidas e alterações hormonais muitas mães têm buscado ajuda em workshops para fazer com que elas saibam organizar o tempo e metas pós-maternidade e também reencontrar a sua beleza e estilo. Nesses cursos, a ideia é trocar experiência com outras mulheres, entender todas essas mudanças para se reconhecer no novo papel e, é claro, aprender a valorizar suas qualidades.

Apesar de não ser um pré-requisito ser mãe para participar dos workshops, a maioria das frequentadoras é mãe recente – que vão junto com os bebês nos cursos – ou mulheres com filhos acima de 2 anos e que já conseguem ficar algumas horas longe das crias.

“Minhas alunas em geral são mulheres em alguma fase de mudanças na vida ou no corpo que buscam sentir-se bem, confortáveis e bonitas na própria pele”, comenta a consultora de imagem, Mila Codato, 35, mãe de Aurora, 3, e grávida do segundo filho. Ela conta que a ideia do curso surgiu por conta da sua própria experiencia após ser mãe. “Percebi as dificuldades das múltiplas tarefas, a falta de tempo para si e as mudanças físicas no corpo. Decidi compartilhar meu conhecimento e ajudar outras mães a lidarem com mais sabedoria e leveza nessa fase de reconstrução da própria identidade e imagem”, explica. No curso, com duração de três dias, é trabalhado o impacto visual e o estilo pessoal de cada aluna e ainda há orientação de especialistas em maquiagem e cabelo.

Mila, que é consultora de imagem há oito anos, explica que o intuito no “Workshop de Imagem Pessoal” é trabalhar a autoestima e a confiança através do autoconhecimento e do compartilhar de experiências em uma roda de mulheres. “O maior objetivo é se dissociar das expectativas alheias e dos padrões de beleza vigentes e descobrir seus potenciais individuais”, diz. Com turma esgotada para o curso de março, Mila conta que já faz reservas para o workshop em abril.

A psicóloga Luciana Porto, 36, não é mãe mas decidiu fazer o curso em novembro após a recomendação de uma amiga. “Minha autoestima estava baixa, faltava confiança em mim e sentia desconforto com meu próprio corpo”, comenta. Ela conta que pensou que teria dicas de como se vestir melhor, mas conta que foi “muito além disso”. “Foi um processo no qual eu passei a valorizar o que antes acreditava ser defeito. Usava roupas largas pois achava que assim esconderia meus quadris largos. Lá aprendi a direcionar a atenção para as partes mais magras do meu corpo. Passei a ousar, recebi elogios e nunca mais coloquei uma calça jeans”, brinca.

Já a geóloga Juliana Baitz Viviani Lima, 33, resolveu fazer o curso pois passava muito tempo para escolher uma roupa na hora de sair ou pegava a primeira que via e saía com “qualquer coisa”. “Acho que depois de ter um filho também a gente passa por uma mudança que o que antes servia, hoje não serve mais. Não somente no sentido literal, mas também no figurado. Muita coisa muda externamente, mas internamente também. E o curso me fez perceber isso”, afirma. Para ela, foi um chacoalhão. “Me fez perceber que mais do que aceitar meu guarda-roupa e as roupas que estão ali, eu deveria me aceitar e gostar de mim naquele momento, para conseguir me adequar à ‘nova eu’”, diz Juliana, mãe de Lucas, 2.

O interessante desses workshops é que eles acontecem sempre em grupos pequenos e em um clima bem informal como na sala de uma casa, por exemplo. O ambiente tranquilo permite que o bebê que acompanha a mãe possa ser amamentado e até tire uma soneca durante o curso. O recomendado é levar bebês apenas que ainda não engatinham para que as aulas não sejam prejudicadas.

Outra opção muito procurada pelas mães é o “Workshop Coaching para Mulheres”, que está na 15ª edição. A responsável por ele, a autônoma Anna Gallafrio, 32, conta que o principal objetivo é proporcionar momentos de reflexão. “A ideia é criar um tempo de qualidade pensando em seus próprios processos, seus desejos, seus entraves, seus potenciais”, comenta. A maioria de suas alunas querem organizar suas ideias e direcionar suas metas em momentos de transição, como no pós-maternidade. “Geralmente a vida costuma ser cheia em compromissos e atividades, pouco restando para dedicação à introspecção e ao movimento de mudança. Das mães, costumo ouvir que não focam nelas mesmas há muito tempo”, afirma Anna, que tem uma turma aberta para o final deste mês.

Assim como Mila, Anna teve a ideia de direcionar seu workshop para essas ‘mães em transformação’ após o nascimento do primeiro filho há quase quatro anos. “Comecei a notar na fala de outras amigas puérperas que aquelas angústias também estavam acontecendo com elas”, comenta. O curso dela é um ‘intensivão’ de um final de semana. “Já vi mulheres chegarem ao grupo inquietas e infelizes, angustiadas com a volta ao trabalho e incertas do futuro. Durante o workshop, elas clarearam e organizaram suas ideias, levando adiante insights que surgiram no grupo”, diz. Segundo Anna, uma aluna ao clarear seus valores e saber dar nome a eles, desenvolveu um novo trabalho totalmente diferente do que exercia antes.

Para as mães que não querem sair de casa também há cursos on-line como o “Criatividade para mães”. O curso é dado pela escritora Gisele Werneck em 12 vídeos-aulas. A ideia do curso é ensinar as mães a “desbloquear o seu canal criativo, promovendo um grande encontro consigo mesma”. No curso é ensinado, por exemplo, dicas simples e práticas para lidar de forma mais produtiva com o seu tempo, dinheiro e com a sua satisfação pessoal.