Aparelhos que fazem ruído para bebê dormir podem prejudicar audição, diz especialista

Por FABIANA FUTEMA
Especialista diz que voz da mãe é o som que mais acalma bebê (Foto: Eduardo Knapp -06.jan.2014/Folhapress)
Especialista diz que voz da mãe é o som que mais acalma bebê (Foto: Eduardo Knapp -06.jan.2014/Folhapress)

Os pais devem ficar atentos ao volume do som emitido por aparelhos sonoros colocados próximos ao bebê. Dependendo da intensidade do ruído, esses aparelhos podem oferecer risco à audição das crianças, segundo o otorrinolaringologista Arthur Castilho, especialista em saúde auditiva.

“O nível máximo permitido de ruído é de 80 decibéis. Acima disso, o ruído pode prejudicar a audição”, diz Castilho.

No entanto, o especialista afirma que esse limite de ruído depende da distância entre o aparelho sonoro e a criança. “Se o aparelho estiver bem próximo da criança, mesmo que abaixo de 80 decibéis, pode prejudicar a audição.”

Outro problema apontado pelo otorrinolaringologista é o tempo de exposição ao ruído. “Não faz bem deixar uma máquina de som ligada a noite inteira ao lado da criança.”

Muitas mães hoje são adeptas da técnica do chiado para fazer o bebê dormir. Há inclusive aplicativos de celular com esses chiados _simulam o barulho do ventre materno, batidas do coração ou sons repetitivos, como secador de cabelo e máquina de lavar.

De olho nesse filão, alguns sites passaram a vender aparelhos que produzem esses sons _são chamadas de máquinas de ruído branco.

Mas Castilho diz que o melhor som ambiente para fazer o bebê dormir ainda é o silêncio. “Já está comprovado que o que acalma o bebê é a voz da mãe. Se você acostumar a criança a dormir com esse chiado criará um condicionamento, ela só vai dormir com esse barulho. Não significa que esse som é que faz dormir, é condicionamento.”

BRINQUEDOS

Castilho diz que os pais também devem prestar atenção nos brinquedos sonoros dos filhos. ‘Hoje, quase todo brinquedo parece brilhar e fazer ruído. Precisa ver se o brinquedo tem selo do Inmetro.”

Segundo ele, alguns fabricantes já têm cuidado com a saúde auditiva da criança na produção dos brinquedos. “Já vi brinquedos que emitem um som de intensidade maior quando estão na caixa. Mas quando você tira da caixa, o som fica mais baixo para não prejudicar a audição da criança.”

Com a quantidade de brinquedos, aparelhos sonoros e aplicativos à disposição, Castilho diz que as crianças de hoje estão mais expostas ao ruído.

O especialista afirma que os danos causados à audição são irreversíveis. “O processo de perda da audição é contínuo. E as lesões provocadas são irreversíveis. Por isso é preciso reduzir o volume e tempo de exposição das crianças ao ruído.”