Psicóloga critica ‘guerra de verdades’ entre mães sobre sono do bebê, parto e amamentação

Por FABIANA FUTEMA

A psicóloga Renata Soifer Kraiser, autora do livro “O Sono do Meu Bebê”, publicou texto em seu blog criticando a “guerra” entre mães que se acham donas da  verdades sobre o sono do bebê, o parto e a amamentação, por exemplo.

Ela diz que percebeu a existência de um debate agressivo envolvendo esses temas ao ler outros blogs de outras mães. “Existe uma verdadeira guerra de “verdades”, uma competição entre as mães para dizer que tipo de mãe é o certo, que tipo de mãe é mais mãe, mais verdadeira, mais “natural”, mais realizada, mais, mais, mais… Quem amamenta mais, quem se entrega mais, quem vive mais a maternidade, quem está mais próxima do ideal.”

Eu me identifiquei com esse texto, pois recebi inúmeras críticas quando escrevi que gostaria que meu filho tivesse uma noite inteira de sono. Fui chamada de folgada por pessoas que não fazem a menor ideia de como é meu dia a dia. Disseram que se eu quisesse dormir a noite toda, que não tivesse filho. Essas críticas vieram de mães, como eu, mas que não foram compreensivas com pessoas que vivem a maternidade de maneira diferente da delas.

Os ataques são disparados também às mães que não puderam _ou não quiseram amamentar seus filhos. As mulheres que fazem cesárea, então, são crucificadas por grupos defensores do parto natural. Não sou contra o parto natural, mas contra as mulheres que agridem e julgam as que fizeram cesárea _por opção ou necessidade.

“Seu bebê usa chupeta? Precisou de leite artificial? Nasceu de cesárea? Então você não sabe nada. Você não leu, não se informou, não sabe o que é ser feliz, não ofereceu o melhor ao seu filho. E dá-lhe culpa!”, escreveu Renata.

O pior desse ataque gratuito é que ele é capaz de deixar muito mais culpada mães que estão se esforçando para amamentar, mas não conseguem.

“Às vezes a mãe não quer ou não consegue amamentar seu filho, por milhares e diversas questões. […] E ai? Vamos queimar essas mulheres vivas? Vamos dizer que são umas coitadas, perversas, egoístas, menos mães, ignorantes, desinformadas e que perderam o melhor da festa? De jeito nenhum”, escreve Renata.

Como ela, defendo que todas as mães sejam respeitadas, independentemente de suas escolhas. “A palavra de ordem aqui é respeito. Respeito a escolha daquilo que é possível para cada mulher. […] Não existe um único caminho para a saúde e felicidade. Isso é uma grande, enorme bobagem.”