Criança demorou para andar? É motivo mesmo para preocupação?

Por FABIANA FUTEMA

Muitas crianças já começam a andar pouco antes de completarem 1 ano. A festa de 1 aninho é quase um rito de passagem para os primeiros passinhos do bebê.

E as que não derem os primeiros passinhos nessa idade? Pais, não entrem em pânico se o filho demorar um pouco mais para começar a andar. O ortopedista  Edilson Forlin,  presidente do comitê de campanhas públicas da Sbot (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia), diz que a maioria estará caminhando por volta de 1,5 ano.

Segundo ele, não dá para avaliar a evolução da criança tomando por base apenas a queixa sobre o atraso da caminhada. “É preciso analisar a musculatura, o desenvolvimento neurológico,  saber se a criança nasceu prematura, analisar como foi a gestação da mãe. E pode ser que apenas falte estímulo para ela caminhar.”

No quesito estímulo, o ortopedista afirma que é comum aparecerem casos em seu consultório de crianças que passam muito tempo no colo. Para estimulá-las, ele recomenda que os pais deixem brinquedos distantes do local onde ficam _assim elas buscarão o objeto.

Forlin afirma que também é preciso avaliar outros marcos do desenvolvimento antes de cobrar que a criança comece a andar. Entre esses marcos estão rolar, virar/desvirar, sentar e engatinhar. Nem todas as crianças engatinham, entretanto.

O ortopedista diz que os pais preocupados com eventuais atrasos na caminhada do filho devem conversar sobre o assunto com o pediatra. O médico poderá acalmá-los ou encaminhá-los para um especialista.

Outra dica de ouro é não comparar o desenvolvimento do seu filho com o de outras crianças. Nenhuma é igual à outra. Criar parâmetros e expectativas em relação à data certa para ele começar a sentar, falar ou engatinhar só serve para gerar frustrações desnecessárias.

MEU FILHO

Meu filho começou a andar com 20 meses (1 ano e 8 meses). Ele não engatinhou, não da forma convencional. Quando completou 1 ano, começou a engatinhar de bumbum.

O que me deixava preocupada é que ele não gostava de ficar em pé. Tentava segurá-lo pelos braços para ajudá-lo a dar passinhos, mas ele chorava. Também não curtia escalar sofás e cadeiras como as outras crianças.

Com 14 meses procurei uma neuropediatra, que recomendou que eu esperasse até os 16 meses. Se ele não andasse até lá, deveria fazer uma série de exames.

Eu e meu marido não gostamos da lista de exames apresentados, que incluíam sedação. Iniciamos sessões de fisioterapia. Mas bebês não são obedientes.  Alguma sessões pareciam muito produtivas. Outras, desperdício de tempo e dinheiro, pois ele só chorava.

Com 18 meses voltei à primeira pediatra, que disse que ele estava ótimo e dava todos os sinais de querer andar. Recomendou que eu procurasse um ortopedista. Foi o que fiz. O ortopedista da época recomendou o uso de botas com palmilhas ortopédicas.

Pouco depois meu filho começou a andar. Forlin diz que não foram as botas ortopédicas, que meu filho andaria de qualquer jeito. Naquela época, tudo que queria era que ele andasse. Chegou a ser rejeitado numa escola por ser velho para o berçário, mas não poder ir para o maternal por não saber andar (lógico que essa escola caiu muito na minha avaliação).

Passado esse tempo, acho que estressei demais na época. Mães de primeira viagem têm reações exageradas. Tento dosar melhor meus sentimentos e planos agora. Um dia de cada vez.

Abaixo, o vídeo do feliz dia em que ele começou a andar!