Procuradoria faz audiência para falar sobre os riscos da episiotomia

Por Giovanna Balogh

O Ministério Público Federal fará nesta quinta-feira (23) uma audiência pública para os interessados em saber mais sobre episiotomia – corte feito entre a vagina e o ânus supostamente para facilitar a saída do bebê no parto normal. O evento começa às 13h e terá a participação de vários profissionais que aboliram a prática, que pode ser considerada violência obstétrica se for feita sem o consentimento da paciente.

Durante o evento, além de médicos,  pacientes que foram submetidas ao procedimento vão dar seus depoimentos. A audiência é aberta e gratuita. A ideia do evento é mostrar que “não é apenas um cortezinho”.

A procuradora da República Ana Carolina Previtalli Nascimento diz que muitas mulheres não sabem sequer o que é uma episiotomia e que a audiência deverá desmistificar a necessidade dela durante o parto.

Uma das palestrantes é a obstetra Melania Amorim, que defende que a episiotomia nunca é necessária.  A médica explica que o enfermeiro ou médico que pretende fazer uma episiotomia deve avisar a parturiente. “Deve ser obrigatório solicitar seu consentimento, porque só se justifica fazer um procedimento sem o prévio consentimento do paciente em uma situação de risco iminente de morte, e isso nunca ocorre para uma episiotomia”, explica.

A médica diz que em muitas maternidades o corte é feito sem anestesia. “Infelizmente há relatos de mulheres submetidas ao procedimento sem anestesia. Deve ser com anestesia local porque se trata de uma cirurgia, de um corte no períneo”, comenta. Na rede pública, conforme mostrou o Maternar, 54% dos partos são com episiotomia. “Na rede privada quase 90% dos nascimentos ocorrem por cesárea, por esse motivo as episiotomias são mais frequentes na rede pública”.

Recentemente, a Prefeitura de São Paulo criou um ranking com os profissionais que mais fazem o procedimento nas maternidades e, com isso, conseguiu reduzir o número de episiotomias. A medida foi feita após a Procuradoria pressionar a administração municipal. A procuradora da República diz que o retorno por enquanto veio apenas da rede municipal.  “Os hospitais privados ainda não acataram essa questão. Parece que preferem fechar os olhos em relação ao problema”, comenta.

Alguns médicos e enfermeiros obstretras que fazem o procedimento defende que ele evita lacerações maiores. Melania diz que vários estudos e revisões sistemáticas demostram que a episiotomia é fator de risco. “A episio provoca lesões graves, de terceiro e quarto graus. A única chance de se obter um períneo íntegro é não fazendo a episiotomia”, diz. Ela explica que se houver lacerações, elas serão pequenas, principalmente, se a mulher tiver na posição que achar mais confortável para parir.