Crianças vacinadas na rede particular também devem participar da campanha, diz especialista

Por FABIANA FUTEMA

Alguns pediatras orientam mães que vacinaram os filhos em clínicas particulares a não participarem da campanha nacional contra a poliomielite e sarampo. O recado é  dado principalmente a crianças que tomaram vacinas combinadas que também agem contra a pólio (hexavalente) ou sarampo (tríplice ou tetra viral).

Mas o presidente da Sbim (Sociedade Brasileira de Imunizações), Renato Kfouri, diz que ter tomado outras vacinas não impede a criança de participar da campanha. “A campanha é um reforço, não há contraindicação.”

Segundo ele, o objetivo da campanha contra a pólio é imunizar o maior número de pessoas ao mesmo tempo. “O reforço ajuda a manter nosso país livre da doença, pois as crianças imunizadas espalham o vírus através das fezes. Isso tem um efeito em cadeia em regiões de saneamento precário.”

O calendário de vacinação prevê que as crianças tomem duas doses de vacina contra o sarampo. Segundo Kfouri, não há problema em tomar uma terceira dose. “Há um percentual de falha na vacinação, essa terceira dose corrige a falha.”

O Ministério da Saúde anunciou a prorrogação da campanha nacional de vacinação contra a poliomielite e sarampo até o dia 12 dezembro.  A campanha terminaria no dia 28 de novembro.

O objetivo da medida é ampliar a cobertura do público atendido pela campanha. Até agora, a campanha vacinou 9,5 milhões de crianças contra a poliomielite, o que representa 74,8% da meta estabelecida. Contra o sarampo, 7,3 milhões de crianças já receberam a dose, cerca de 66,9% do público-alvo. O objetivo é alcançar 95% do público-alvo.

Devem tomar a vacina contra a poliomielite as crianças entre seis meses e cinco anos de idade incompletos.

A recomendação é que todas as crianças na faixa etária sejam vacinadas contra a poliomielite, pois a vacina oral vale tanto para colocar em dia a vacinação atrasada como para reforço de quem está com o calendário em dia.

Já a vacinação contra o sarampo será feita em crianças entre um e cinco anos de idade (incompletos).

ALERGIA

O Ministério da Saúde informa que as crianças com alergia ao leite de vaca serão vacinadas depois contra o sarampo. As secretarias estaduais e municipais foram orientadas a não vacinar essas crianças com o produto fornecido pelo laboratório Serum Institutte of India Ltd. A iniciativa é uma medida de devido à presença do componente lactoalbumina hidrolisada nas doses fornecidas pelo laboratório.

 

Criança é vacinada em posto de saúde (Foto: Eduardo Knapp-22.mar.2010/Folhapress)
Criança é vacinada em posto de saúde (Foto: Eduardo Knapp-22.mar.2010/Folhapress