Como a analgesia pode aliviar as dores do parto

Por Giovanna Balogh
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Quem foi que disse que parto tem que ser com dor? Muitas mulheres não esperam nem entrar em trabalho de parto e agendam suas cesáreas com medo da tal temida ‘dor do parto’. Mas, essa dor é tão forte assim? Como saber se vai suportar sem antes sentir de fato as contrações? Parto humanizado não significa que você não pode, por exemplo, pedir uma analgesia para aliviar a dor.

O médico anestesista Carlos Eduardo da Costa Martins explica que a analgesia é uma grande aliada para ter um parto “sem dor”. Martins diz que ela pode ser aplicada durante o início do trabalho de parto ou até mesmo no final, dependendo da vontade da mulher.

As dosagens, detalha o médico, são controladas pelo profissional de acordo com cada fase do parto.

O médico explica que é colocado um cateter na paciente e que o anestesista fica administrando as soluções analgésicas conforme a necessidade e aumento da dor da parturiente. Ou seja, depois que é acionado, o anestesista também fica ao lado da mulher o tempo todo sendo que às vezes o trabalho pode ser rápido ou levar várias horas. Atualmente, no entanto, isso só é possível na rede particular de saúde já que na rede pública não há um anestesista para cada paciente.

“Não há uma receita de bolo quando se fala em analgesia. Varia de acordo com o momento e da intensidade da dor que passa a paciente. Damos a dose necessária e suficiente”, explica.

O médico comenta que cerca de 80% das pacientes pedem analgesia quando estão entre quatro e oito centímetros de dilatação. Mas, segundo ele, muitas pedem ainda no início do trabalho de parto e outras só no expulsivo [momento do nascimento do bebê].

Para tomar a analgesia, explica o médico, a mulher precisa estar com contrações seriadas e, é claro, com dor. Ele comenta que a interferência do anestesista tem que ser mínima para que a mulher continue a se mexer durante o trabalho de parto, ou seja, a gestante pode continuar se movimentando, ficar de cócoras ou achar a melhor posição para poder ter seu bebê.  Mesmo com a analgesia, se for corretamente administrada, a parturiente consegue andar, agachar e, é claro, sentir as contrações.

DOR DAS CONTRAÇÕES

A obstetriz Ana Cristina Duarte explica que a maioria das mulheres é bastante tolerante às dores das contrações, afinal, as  dores são como a onda do mar, ou seja, elas vem e vão e tem parturientes que chegam a dormir entre uma contração e outra.

“No final do trabalho de parto as dores tendem a se intensificar e, nessa hora, pode entrar a analgesia se esse for o desejo da paciente”, comenta a obstetriz.

Foi o caso da jornalista Marcella Chartier, tomou analgesia quando já estava com oito centímetros de dilatação. Ela conta que planejava um parto domiciliar, mas foi transferida para o hospital para aliviar a dor depois de várias horas em trabalho de parto. “Tomei a analgesia e consegui relaxar e parir”, conta. Segundo Marcella, foi possível sentir as contrações e se movimentar. “Assim que tomei a analgesia caminhei pelos corredores do hospital”, conta Marcella, que teve seu bebê em maio de 2012 em uma maternidade particular de São Paulo.

Marcella diz que se pudesse dar um conselho para as mulheres que têm medo da dor do parto é que elas aguentam. “Acho que vivemos em uma sociedade que atrela a dor a doença, mas a dor do parto não é assim. É a natureza trabalhando. pra depois não sentirmos mais nada. As mulheres que têm medo da dor eu diria que elas dão conta, como eu dei, até o momento que pedi a analgesia. É um recurso possível”, comenta.

Nada impede, no entanto, que a mulher receba a analgesia com poucos centímetros de dilação, como  Silvana Paiva Barreto, 32, tomou a analgesia quando estava com apenas três centímetros de dilatação – para parir a mulher precisa ter 10 centímetros de dilatação. Ela conta que a bolsa rompeu de manhã e que à noite estava com apenas um centímetro de dilatação.

“Meu trabalho de parto não evoluía e comecei a sentir medo das contrações, além de estar cansada. Não queria tomar analgesia”, diz.

Silvana conta que na hora sentiu muito alívio e que conseguiu relaxar e descansar e só então o trabalho de parto evoluiu. Como a dosagem é ministrada pelo anestesista, ela tomou novamente uma analgesia quando estava com 6 centímetros de dilatação. “Meu bebê nasceu de cócoras, pude sentir as contrações, mas sem dor. Foi tudo muito calmo e tranquilo, inclusive, o expulsivo”, diz.

Silvana, que teve uma cesárea no primeiro filho, desta vez pariu e foi até a cama andando e com o bebê no colo. “A impressão que tenho é que a analgesia me ajudou a encontrar o equilíbrio, a relaxar e o trabalho de parto evoluir”, comenta sobre o parto de Joaquim, que aconteceu em março deste ano.

“Sempre recomendo que as mulheres esperem entrar em trabalho de parto e sintam que dor é essa. Se ela for maior do que o esperado, que peçam analgesia”, comenta.