Por que os pais não devem usar o Papai Noel para ameaçar seus filhos

Por Giovanna Balogh
Mãe e filho conversam com papai noel em shopping (Foto: Edson Silva/Folhapress)
Mãe e filho conversam com papai noel em shopping (Foto: Edson Silva/Folhapress)

Sabe aquele dia que você está cansada, a criança não quer entrar no banho, não quer jantar e ainda desmonta a sua casa inteira. Pois é. E aí, perto da festa de fim de ano, vem aquela ameaça. “Se você não entrar agora no banho o Papai Noel não vai te dar presente” ou “se não comer a fruta eu vou contar tudo para o Papai Noel”.

Logo a criança faz cara de espanto, às vezes chora e normalmente faz exatamente o que você queria. Mas, está certo? O que ganhamos ao ameaçar o nosso filho com a figura que eles esperam tão ansiosamente?

A psicopedagoga Lilian Rodrigues Santos diz que muitas vezes a chantagem é usada para educar pois dá a impressão que dá resultados mais imediatos. Afinal, educar demanda tempo, empatia, boa vontade e também responsabilidade com o futuro daquela criança.

“A curto prazo pode até dar certo, mas o que dizer a partir de  25 de dezembro? Vai ameaçar com o ‘bicho papão’ vai te pegar? O que os pais estão fazendo a longo prazo é criar uma criança que provavelmente vai fazer algo só se tiver algum benefício próprio”, comenta. Segundo Lilian, a criança pode pensar que se não vai ganhar nada para fazer determinada coisa, por que vai fazer?

Esse lance de que se você não se comportar, o Papai Noel não vem a gente já escuta desde a nossa infância. Ao sentar ao lado do bom velhinho no shopping, por exemplo, ele dispara a pergunta. “Você foi um bom menino?”. E desde quando existe criança má? Existe isso?

A psicopedagoga comenta que muitos pais ameaçam seus filhos muitas vezes inconscientemente repetindo a maneira como foram criados.  Ela comenta ainda que isso é ruim para a criança que perde a oportunidade de desenvolver habilidades como o senso critico, a capacidade de fazer escolhas inteligentes, a empatia, a solidariedade e a responsabilidade.

Conforme mostrou o Maternar no ano passado, os pais também não devem obrigar a criança a gostar e a tirar foto com o bom velhinho pois muitas têm medo ou receio daquela figura desconhecida. A psicopedagoga explica que a importância dada ao Papai Noel é uma escolha muito pessoal e que cada família tem a sua. “Alguns preferem fazer do Papai Noel e dos presentes o foco do Natal enquanto outros aproveitam a ocasião para direcionar a atenção dos pequenos e da família para outros valores”, comenta.

É claro que as crianças devem ganhar presente na data, mas cada vez mais os pais tem buscado um consumo mais consciente.  “As famílias têm procurado diferentes opções para festejar e ao mesmo tempo mostrar às crianças que na verdade é simples fazer o bem o ano todo”, diz.

Segundo Lilian, vale desde incluir a criança na coleta e entrega de donativos, por exemplo, como também na confecção de biscoitos, bolos ou presentes para os idosos, crianças carentes e amigos.

“Também dá para  fazer um bazar de garagem ou encontrar alguma forma de levantar fundos para ajudar uma instituição de caridade, escolher com eles e doar tudo aquilo que não usam mais, cortar a grama para um vizinho idoso, preparar uma cesta com alimentos para uma família, enfim, as oportunidades de fazer a diferença são inúmeras”, relata.