Guarda compartilhada pode ajudar a evitar a alienação parental

Por Giovanna Balogh
Elisa com o ex-marido e o filho Santiago (Foto: Moacyr Lopes Junior/Folhapress)
Elise Guedes com o ex-marido e o filho Santiago (Foto: Moacyr Lopes Junior/Folhapress)

A lei que prioriza a guarda compartilhada para casais que não entram em acordo pode ser benéfica para as crianças, segundo psicólogos e advogados. Aprovada no Congresso e sancionada nesta terça-feira (23) pela presidente Dilma,  a lei evita que um dos pais prive o outro de conviver com o filho.

“Creio que esta lei é uma forma de dizer aos pais: ‘Se vocês não se entendem, pelo menos aprendam a entrar em acordo na questão mais importante da vida de vocês, que é o filho'”, diz a psicóloga Marisa de Abreu.

Marisa também acredita que a lei fará com que os pais evitem a chamada alienação parental -quando um genitor tenta destruir a imagem do outro para o filho. Ela afirma  que serão vários os benefícios, principalmente, permitirá à criança perceber que tem duas pessoas que zelam por ela.

“Outro ponto importante é que desta maneira a guarda não poderá servir como vingança em casos onde uma das partes deseja mais o sofrimento do outro do que o convívio com o filho”, afirma.

O advogado de família Danilo Montemurro concorda. “O uso dos filhos como ferramenta para atingir e punir o outro em ações de divórcio, tirando a guarda e a convivência dos filhos é muito comum. A guarda unilateral concede um grande poder sobre a criança, afastando o outro genitor do convívio”, comenta o advogado.

Se uma das partes não cumprir o que estabelece a lei, a guarda poderá voltar a ser unilateral. A exceção prevista pelo projeto vale para casos em que o pai ou a mãe declarar que não deseja a guarda.

“É muito importante para a criança perceber a presença e cuidados de ambas as partes, isto pode afetar, e muito, todo o desenvolvimento emocional desta criança”, comenta.

Já a psicopedagoga Lilian Rodrigues Santos diz que apesar da grande importância da lei, é preciso uma fiscalização rigorosa para ver se ambos os pais têm condições de cuidar e criar o filho antes de dar a guarda compartilhada para todos.

Ela acredita que a lei fará com que algumas pessoas reflitam um pouco mais sobre os danos irreparáveis causados às crianças ao privá-las de conviver com um dos pais. Para Lilian, a lei  talvez seja um passo na direção da diminuição de casos de alienação parental.

RELAÇÃO AMIGAVEL

Mas, como a lei pode dar certo? Casais que já fazem guarda compartilhada dos filhos tem uma receita de sucesso: pai e mãe, mesmo separados, precisam ter uma relação amigável e de respeito.

Para eles, pode ser complicado colocá-lo em prática apenas com uma caneta de um juiz.

“Se o casal não segue a mesma linha de criação, mal se fala, não vejo como pode dar certo. Cada caso é um caso, mas sendo imposto pela Justiça não parece bom para a criança, e a prioridade deve ser sempre o filho”, diz a atriz e fotógrafa Elise Guedes, 34, mãe de Santiago, 2.

Como o ex-marido Franco Zampese, 42, trabalha perto de sua casa, ele consegue sempre ver o filho, sem regras e horários limitados.

Segundo especialistas, a guarda compartilhada não funciona impondo horários, como deixar a criança metade dos dias na semana na casa de um e o restante na casa do outro.

Ou seja, é preciso flexibilidade, conversa e despesas e obrigações divididas, como levar ao pediatra e à escola.

A jornalista Thaís Pontes, 28, e o pai da sua filha, Daniel Gasparetti, 28, fazem guarda compartilhada da filha  Maria, de dez meses. A menina, como ainda é amamentada pela mãe, não dorme na casa do pai, mas convive bastante com ele e a madrasta.

Ele diz que não quer ser o tipo de pai que leva a filha ao parque, dá sorvete e depois devolve no final do domingo.

“Quero cobrar lição de casa, escolher a escola que ela vai estudar,  educar, buscar e levar nos lugares, enfim, também vou participar das coisas chatas da criação”, brinca Daniel.