Para obstetras, medidas do governo para reduzir cesáreas são inócuas

Por FABIANA FUTEMA
Bebê nasce por meio de cesárea (Foto: Toni Pires - 10.dez.2002/Folhapress)
Bebê nasce por meio de cesárea (Foto: Toni Pires – 10.dez.2002/Folhapress)

Em anúncio publicado em jornais nesta quinta, a Sogesp (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo) diz que as medidas anunciadas na semana passada pelo Ministério da Saúde para reduzir o número de cesáreas são inócuas e escondem os verdadeiros motivos para os altos índices para realização desse tipo de parto no país.

Segundo a Sogesp, o problema está relacionado à redução progressiva de leitos obstétricos em maternidades e hospitais credenciados, à falta de ambientação adequada nesses hospitais e de equipes de plantonistas presenciais”

A nota é assinada pelo presidente da Sogesp, Jarbas Magalhães, e pelo diretor de defesa profissional da entidade, Cesar Eduardo Fernandes.

As medidas anunciadas pelo governo preveem que as operadoras de saúde forneçam às clientes o índice de cesáreas dos obstetras e hospitais conveniados, por exemplo. Os médicos, por sua vez, deverão fornecer um partograma com informações gráficas sobre a evolução do parto. Caso a operadora de saúde entenda que a cesárea ocorreu sem necessidade, o médico pode não receber pela realização do parto.

“Imaginar que categorizar obstetras como bons ou rins pelos seus percentuais de cesáreas seja a solução para o problema é, no mínimo, um desconhecimento profundo do problema”, dizem eles na nota.

Na nota, afirmam ainda que o grande enfrentamento que o governo e ANS devem ter é com os planos de saúde “para exigir que as maternidades credenciadas tenham equipes de assistência obstétrica 24 horas de plantão”.

Eles também criticam a possibilidade de os médicos não receberem pela cesárea caso não tenham feito o partograma. “Se identificada alguma irregularidade, esta deve ser denunciada [….].

A Sogesp afirma ainda que a propagada taxa ideal de cesáreas de 15% usa dados antigos da OMS (Organização Mundial da Saúde) e que nenhum país desenvolvido trabalha mais com esse percentual atualmente.

“As principais causas do demasiado número de cesáreas seguem camufladas e as ações anunciadas não servirão nem como paliativo. Por sua vez, a simples informação sobre as taxas de cesárea a parto normal é simplória e desconsidera as cesáreas feitas a pedido da paciente […] e as gestações de alto risco”, informa o documento.