Projeto do Einstein quer incentivar parto normal sem afastar médico particular

Por FABIANA FUTEMA
Mulher durante parto normal realizado no hospital Sofia Feldman (Foto: Divulgação)
Mulher durante parto normal realizado no hospital Sofia Feldman (Foto: Divulgação)

Reduzir a taxa de cesáreas e ao mesmo tempo permitir que o parto seja feito por um médico de confiança da grávida. Esses são os princípios do projeto-piloto implantado inicialmente pelo Hospital Israelita Albert Einstein em parceria com a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e IHI (Institute for Healthcare Improvement).

O objetivo é tentar uma solução diferente das adotadas pelas redes privadas que conseguiram reduzir suas taxas de cesáreas transferindo o parto para os plantonistas do hospital _caso da Unimed de Jabotical, por exemplo.

Segundo a diretora-substituta da ANS, Martha Oliveira, há o entendimento de que as grávidas brasileiras preferem fazer o parto o obstetra particular por uma questão de confiança.

Para atender esse desejo das pacientes da rede privada, o projeto trabalha com três modelos de atendimento da grávida em trabalho de parto: 1) equipe de plantonistas; 2) enfermeiras obstetras e acompanhante; 3) equipe de médicos que atendem a grávida no pré-natal.

Segundo Martha, a ideia é que a gestante possa ser atendida por até quatro médicos durante seu pré-natal. Um desses quatro ficaria de sobreaviso para fazer seu parto.

Rita Sanchez, coordenadora da maternidade do Einstein, diz que a redução das cesáreas também passa por mudanças culturais. “Do lado da mulher tem a questão da conveniência [agendamento da cesárea] e do medo [da dor]. Do médico, tem a dificuldade do trânsito, a agenda do consultório, a disponibilidade.”

Segundo ela, o processo de adequação do parto envolve a estrutura e ampliação da mão-de-obra dos hospitais e maternidades. “Até que o médico particular chegue à maternidade, é possível que o primeiro atendimento seja feito por um médico de suporte, por enfermeiras ou obstetrizes.”

Além de plantonistas para atender intercorrências, Rita afirma que as maternidades precisam ter as chamadas salas PPPs: de pré-parto, parto e pós-parto.

Segundo Rita, o objetivo do projeto é incentivar o parto adequado. “Algumas grávidas podem chegar pedindo um parto normal a qualquer preço. Mas em primeiro lugar está a segurança da mulher e do bebê. É o parto certo no momento certo. E não uma cesárea agendada sem indicação médica e sem entrar em trabalho de parto antes da 39ª semana.”

Além da questão da assistência, o projeto-piloto do Einstein também vai discutir a questão do treinamento e remuneração relacionados ao parto normal. Esse última questão é delicada para os médicos, que se queixam de receberem dos convênios apenas R$ 300 por parto. E no normal, o processo pode se alongar por muitas horas.

No Einstein, o projeto está previsto para ser iniciado até o fim deste mês. Seus resultados poderão ser apresentados em até 18 meses.

EXPANSÃO

O plano da ANS é levar o projeto de incentivo ao parto normal para mais 25 hospitais do país.

Para apresentar a proposta e convidar as entidades a participarem dele, a ANS marcou um encontro quarta-feira (25) no Rio de Janeiro.

Neste encontro, voltado para representantes de hospitais privados e de operadoras de planos de saúde, serão apresentados os detalhes da parceria entre a ANS, o Einstein e a o IHI.

Os hospitais que aderirem seguirão o modelo que está começando a ser adotado no Einstein.

Martha diz que já mais do que 25 hospitais interessados em participar do projeto. “Talvez tenhamos até de fazer uma seleção.”