Filme ’50 Tons de Cinza’ chega ao Cinematerna e vira polêmica

Por Giovanna Balogh
Foto: Leticia Moreira/ Folhapress
Mães durante sessão do Cinematerna em SP (Foto: Leticia Moreira – 15.jul.2010/Folhapress)

O filme 50 Tons de Cinza entrou em cartaz recentemente no Cinematerna , que oferece sessões de cinema para mães acompanhadas de seus bebês. O fato tem gerado uma grande discussão nas redes sociais pois há quem defenda a exibição enquanto outros criticam o fato do filme com cenas de sexo ser exibido na telona ao lado dos pequenos.

A dona de casa Graziele Castro, 31, foi assistir o filme nesta semana no Shopping Fashion Mall, no Rio, com o filho Tomás, de 1 ano e três meses. “Meu filho tem um ano e não parou para assistir nada. Não parou nem um segundo na sessão. Ouvi mais do que vi o filme, mas achei super tranquilo”, comenta Graziele, que já viu outros filmes no Cinematerna. A sessão, segundo ela, estava cheia com muitas mães e até casais com bebês pequenos.

“Corpo, sexo, nudez são tabus. Ninguém questionou quando entrou na lista do Cinematerna filmes com cena de violência, por exemplo”, comenta.

A administradora Milena Gil, 31, foi acompanhada do filho com apenas um mês de vida. “Estava lotado o cinema. Acho um exagero falar que o filme influencia algo para um bebê. O meu bebê ficou mamando no peito por quase uma hora e depois capotou enquanto eu via o filme”, comenta Milena, que foi assistir o filme no cinema do Shopping Cidade Jardim, em São Paulo.

A psicopedagoga Lilian Rodrigues Santos, no entanto, diz que  as crianças pequenas entendem tudo, mesmo que de forma inconsciente. “Elas sentem a energia do ambiente, da mãe. Expor bebês e crianças a qualquer filme com enredo adulto é inadequado. Influencia os sonhos, o brincar deles e até mesmo o funcionamento harmônico do organismo, ainda que de maneira sutil”, comenta. Para Lilian, as mães que querem ver qualquer filme com cenas de violência ou de sexo deveriam preferir deixar o bebê com alguém neste período.

SESSÕES SÃO PARA BEBÊS ATÉ 18 MESES

Depois de tamanha polêmica, o Cinematerna divulgou uma nota em sua página onde explica que as sessões são voltadas para mães com bebê até 18 meses e que a programação é voltada para elas.  Ainda segundo a nota, os filmes cada complexo de cinema tem enquete para as mães escolherem os filmes que querem assistir. “Evitamos os excessos de violência e tensão, além de qualquer pitada de tragédia com bebês ou crianças. Ainda assim, há filmes ‘badalados’, com algum conteúdo explícito e que muitas mães querem assistir, que podem entrar em cartaz. Nestes casos, ressaltamos sobre o conteúdo em nossa comunicação, sugerindo a quem estiver sensível que não assista.”

Além da possibilidade de entrar com bebê de colo, o Cinematerna oferece filmes com o som mais baixo, o ar-condicionado é regulado para ser agradável para os pequenos fora que a iluminação da sala também é diferenciada.  No local, é possível encontrar trocadores e até lenços umedecidos, fraldas e pomadas. Esses itens são oferecidos gratuitamente para as mães.

A nota do Cinematerna diz ainda que é possível observar bebês olhando para a tela, como se estivessem assistindo. “Nossa opinião: bebês ficam fascinados pelo enorme telão que emite som e luz em movimento. Não acompanham o enredo e não veem a imagem como a ‘lemos’ através de nossos filtros culturais. Pode ser até um filme infantil e, ainda assim, bebês não assistem. A imensa maioria olha para a tela por alguns minutos e, passado o fascínio, se vira para fazer outra coisa – ou dorme, ou resmunga, ou chora, ou brinca com outro bebê ao lado, ou pede para mamar. Os maiores saem caminhando pela sala: sobem e descem as escadas, vão xeretar os carrinhos de bebê estacionados, tentam “fazer amizade” com outro bebê ou adulto”,diz a nota.

A nota encerra dizendo que cortar o filme 50 Tons do CineMaterna não seria coerente pois seria uma censura. “Isso sim, seria agressivo. Nosso foco são as mães recém-nascidas que estão sensíveis, mas querem se manter atualizadas cultural e socialmente, exercendo seu direito de escolher assistir ou não a um filme”, conclui a nota.