‘Pais erram ao oferecer papinha para os filhos’, diz pediatra espanhol

Por Giovanna Balogh
Bebês precisam ter contato com alimentos sólidos e não triturados (Foto: Marcelo Justo/Folhapress)
Bebês precisam ter contato com alimentos sólidos e não triturados (Foto: Marcelo Justo/Folhapress)

Uma das maiores preocupações dos pais é se o filho está comendo direito. Se come verduras, legumes, além, é claro, do tradicional arroz e feijão acompanhado de uma carne. Muitos pais fazem ‘aviãozinhos’, oferecem ‘recompensas’ se a cria ‘raspar o prato’ ou ainda a deixa comer na frente da TV com a intenção de distraí-la para tentar fazer o filho comer algumas colheradas a mais.

O pediatra espanhol  Carlos Gonzalez, autor de vários livros e fundador da Associação Catalã de Amamentação, explica que estamos fazendo tudo errado. O erro, explica o médico, começa quando trituramos as comidas para dar em formato de papinhas na introdução alimentar dos bebês. Segundo ele, há crianças que chegam aos dois anos sem saber mastigar ou que têm ânsia pois não sabe lidar com pedaços sólidos de comida. Uma das alternativas é o  BLW (Baby-led Weaning,  ou em tradução livre o desmame que o bebê lidera), conforme já mostrou o Maternar.

Para Gonzalez, a criança deve comer sozinha e experimentar os pedaços de comida que são ofertados. “A criança está aprendendo o que é importante ela levar a boca, mastigar, distinguir os sabores”, diz. As crianças comem pouco, ou seja, não adianta esperar que ela coma um prato de adulto por isso a importância de ser dada a comida em pequenas porções.

O pediatra diz que não existe nenhuma criança que “come de tudo” pois também não existe nenhum adulto que “come tudo.” “Assim como os adultos, eles vão comer o que gostam. Nós, adultos, já fazemos essa seleção do que gostamos ou não ao ir ao mercado fazer as compras. Selecionamos o que gostamos e não e nossos filhos podem ter gostos diferentes dos nossos”, explica.

Gonzalez ressalta que não adianta nos preocuparmos apenas com a alimentação que daremos nos primeiros meses de vida e deixar que as crianças aos dois anos comam doces, refrigerantes e batatas fritas industrializadas. Para ele, a preocupação dos pais deve ser não só com o que o filho come nos primeiros anos de vida, mas o que vai comer pelos próximos 30, 60 anos.

O pediatra ressalta que os médicos não deveriam ensinar os pais como preparar as papinhas de legumes, mas como fazer um cardápio saudável para a família toda.

ENCONTRO DE MATERNAGEM CONSCIENTE

Essas e outras dicas serão dadas pelo pediatra no 1º Encontro de Maternagem Consciente que acontecerá entre os dias 17 e 24  de março.

O evento, que será online e gratuito, vai reunir os maiores nomes da criação com apego e maternidade ativa e consciente. A palestra do pediatra acontece no  dia 24 de março, às 21h.

As palestras têm o objetivo de ajudar grávidas, mães, pais, avós e cuidadores sobre alimentação, cuidados, disciplina positiva, parto, entre outros assuntos para construir um relacionamento mais empático, respeitoso e afetivo com seus filhos, mas não têm ideia de onde começar. O evento é organizado pela atriz e doula Carolinie Figueiredo, autora do blog Canto da Mulher que Canta, pelo blogueiro Thiago Queiroz, do Paizinho, Vírgula, e  pela doula e educadora perinatal Camille Fonteneles. Para se inscrever, basta entrar no site do encontro. Na página também é possível conferir o nome de todos os palestrantes e os assuntos que vão abordar.

Carolinie, que é mãe de um casal, explica que todos os organizadores são pais e que praticam a maternidade consciente na criação de seus filhos. Segundo ela, o evento é para quem já pratica a maternagem consciente e para quem não sabe por onde começar.

Ela conta que descobriu essa forma de criação após o nascimento do segundo filho, conforme mostrou o Maternar. “Mudei como mãe ao perceber que as minhas escolhas afetam diretamente o potencial do meu filho”, comenta.