Psicólogas criam treinamento para pais ‘sem manual’ lidarem com filhos

Por FABIANA FUTEMA
As psicólogas Thaís e Patrícia criaram treinamento para pais (Foto: Arquivo Pessoal)
As psicólogas Thaís e Patrícia criaram treinamento para pais (Foto: Arquivo Pessoal)

Atire a primeira pedra quem nunca teve dúvidas sobre a maneira correta de educar o filho. Ou não se questionou se a bronca de hoje poderia ter algum efeito sobre a criança no futuro. Foi para esse público que as psicólogas mineiras Thaís Moraes e Patrícia Nolêto criaram o curso de treinamento de pais.

Segundo Thais, a ideia do curso surgiu a partir do trabalho individual com crianças no consultório. Ela diz que o tratamento nunca envolve apenas a criança, mas também os pais.

E ao lidar com esses pais, as psicólogas perceberam que muitos estavam carentes de referências sobre a criação dos filhos. “Há muitas dúvidas, muito medo de não estar fazendo a coisa certa, além da culpa”, afirma Thaís.

Patrícia diz que a rotina puxada faz com que muitos pais passem menos tempo com os filhos e por isso têm menos oportunidades para observar como eles ‘estão funcionando’. “É nesse momento de convivência que acontece a educação, não só dos comportamentos, mas também dos pensamentos e das emoções. No Treinamento e pais falamos sobre essa educação sócio-emocional.”

Outra coisa que elas identificaram é que na tentativa de corrigir os filhos, muitos pais aplicavam técnicas punitivas. O cantinho do pensamento, propagado em programas como ‘Supernanny’ pode ter esse caráter punitivo se aplicado para interromper momentos agradáveis, como uma brincadeira.  “Em vez de punir, o pai deve fazer o reforço positivo, acrescentar uma consequência positiva para o ato da criança”, diz Thaís.

Alguns pais procuram o treinamento para aprender a lidar com a birra do filho. Momentos em que a criança se joga no chão do shopping, supermercado ou restaurante e começa a gritar até ser atendida num desejo são uma verdadeira tortura para eles.

Para esses pais, Thaís recomenda que ignorem a pirraça do filho, por mais constrangedor que possa ser. Ela diz que num primeiro momento a criança vai gritar mais e mais alto. “Essa criança quer atenção. E sabe que se gritar consegue o que quer. Se perceber que gritar não adianta mais, vai parar com a birra.”

SERVIR COMO EXEMPLO

Patrícia diz que os pais podem não ter consciência do impacto que causam na vida dos filhos. E que seus atos servem de exemplo para as atitudes da criança.

“É comum ver pais reclamando de filhos que não saem do tablet, da TV ou do celular, mas muitas vezes são eles que enquanto estão brincando com os filhos estão grudados no celular, no Whatsapp, respondendo e-mail do trabalho ou passeando nas redes sociais. Sem perceber,  estão ensinando esse modelo.”

Segundo ela, não existe uma receita infalível para criação dos filhos. “Muitas vezes, o que funcionou para o mais velho não serve para o caçula. Por isso é tão importante entender o funcionamento, quais os pensamentos estão passando pela cabeça de seu filhos, a quais emoções eles se conectam e quais comportamentos aparecem.”

No treinamento, as psicólogas utilizam princípios da terapia cognitiva. “Se pai percebe que o filho está triste, não pergunta só o que aconteceu. Ele também tenta fazer o filho entender como ele se sentiu em relação àquela experiência., que  pensamentos ele teve.”

Thaís diz que os pais não devem se esquecer de elogiar os filhos.  “Precisa elogiar sempre, enxergar o que o filho tem de bom, seus pontos positivos.”

O ‘treinamento para pais, pois filhos não vem com manual’ já vem sendo aplicado em Belo Horizonte. As psicólogas se preparam para montar turmas agora em São Paulo. Os cursos acontecem aos fins de semana e são voltados para pais de crianças de 2 a 12 anos.

O curso não é uma receita de bolo, nas palavras da psicóloga. “Errar faz parte. Mas podemos ajudar a lidar melhor com os sentimentos do aprendizado.”