Pai de criança que fala palavrão precisa dar exemplo para conter o filho, diz terapeuta

Por FABIANA FUTEMA

 

De uma hora para outra, sem você perceber bem quando iniciou, seu filho de 2 ou 3 anos começou a falar palavrão. No começo, era até engraçadinho. Ele soltava um nome feio e todos riam.

Só que a frequência com que ele passou a empregar esses termos aumentou e passou a incomodar a família.  E agora, como lidar com essa situação?

Para a terapeuta Thaís Moraes, os pais precisam primeiramente se policiar, pois o ato de falar palavrão costuma ser aprendido. “O processo de aprendizagem através da modelagem dos pais é muito poderoso. A criança se espelha nos pais e estes são suas maiores referências. Assim, o ideal é que a regra de não falar palavrão seja para toda a família, e não apenas para a criança.”

Só que mesmo para os adultos pode ser difícil abandonar um hábito que parece tão bobo, como xingar alguém num momento de tensão. Se mesmo tentando, os pais continuarem a falar palavrões na frente do filho, Thaís diz que o correto é que eles peçam desculpas à criança. “Explique a ela que não deveria ter feito aquilo”, afirma a terapeuta.

Da mesma forma, ela diz que é preciso fazer o reforço positivo, ou seja, elogiar quando a criança conter o impulso de xingar. “Se é uma regra para apenas para criança, e não da família, dificilmente o pai terá sucesso [em conter esse impulso].”

Mas se os pais não falam palavrão, a criança aprendeu com quem a se expressar dessa forma? Thaís lança algumas perguntas sobre o tema: “É reflexo de um ambiente mais ‘estressado’ onde os adultos têm se policiado menos? Há falta de limites? Ou menor controle sobre os que as crianças assistem?”

PUNIÇÃO

Se os pais já estão treinados, não falam palavrão, e ensinaram essa regra à criança, talvez seja a hora de dar uma forcinha ao aprendizado.

Primeiro, segundo Thaís, os pais precisam sempre elogiar a boa atitude. “Deve-se recompensar o comportamento que se almeja da criança.”

Mas quando reforçar o bom comportamento não funciona, é possível aplicar pequenas sanções. “Lembrando que essa ‘punição’ nunca poderá ser maior que a recompensa, que o reforço positivo”, diz ela.

E quais seriam as sanções para crianças tão pequenas? “Por exemplo, incluir uma consequência lógica para o comportamento. Por isso, a importância de se entender o contexto do comportamento. O palavrão foi dito pela frustração de perder um jogo? Uma consequência lógica pode ser perder o direito de brincar por 2 minutos. Essa consequência deve ser aplicada imediatamente após o palavrão”, diz Thaís.

Segundo Thaís, não existem receitas prontas para lidar da mesma forma com todas as crianças. Os pais devem tentar identificar o início desse comportamento e verificar se ele está associado a alguma situação estressante.

“É importante avaliar o comportamento para identificar as situações em que ele ocorre, a freqüência com que ocorre, a intensidade, a duração, o prejuízo que gera, para se pensar nas intervenções que funcionam melhor para cada criança.”