Ufscar divulga nota sobre morte de professora após cesárea em São Carlos

Por FABIANA FUTEMA

A professora de enfermagem da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos) Mariana de Oliveira Fonseca-Machado, 30, morreu na última terça-feira após ficar 11 dias internada depois de realizar uma cesárea na Casa de Saúde de São Carlos, no interior de São Paulo.

A cesárea aconteceu no dia 11, logo depois de Mariana tentar um parto domiciliar no mesmo dia.

Segundo a nota da Ufscar, Mariana tentou um parto natural com base em seu “conhecimento e acompanhamento médico durante o pré-natal, que evidenciou uma gestação sem intercorrências”. Diz ainda que ela esteve acompanhada de profissional capacitado durante todo o tempo.

“[…] Chegando ao local [hospital] em perfeito estado de saúde. Algumas horas depois, Mariana foi submetida à cesariana, tendo a oportunidade de pegar sua filha no colo e amamentá-la.”, afirma a nota da universidade. “Posteriormente, foi encaminhada ao quarto junto com sua filha e, poucas horas depois, iniciou um quadro de complicações, que resultou no trágico desfecho.”

Na nota, critica a forma sensacionalista como o caso foi tratado nas redes sociais e mídia. Textos compartilhados nas redes sociais diziam que ela teria morrido após 48 horas de trabalho de parto.

“Dados científicos indicam que a cesariana aumenta o risco de morte materna em 3-5 vezes, comparada ao parto normal. Dentre todas as causas de morte materna a hemorragia é a mais frequente delas.”, afirma a nota da Ufscar.

A Santa Casa informou que Mariana “passou por uma cesárea sem nenhuma intercorrência”. “No entanto, no processo pós-cirúrgico, devido ao quadro clínico da paciente, foi encaminhada à UTI.”

Diz ainda que a professora “permaneceu internada no hospital até o último dia 18, quando foi transferida, a pedido da família, para o Hospital de Base de São José do Rio Preto”.

Já o Hospital de Base disse que Mariana “deu entrada em estado muito grave”. “Foi diretamente encaminhada para a UTI e morreu na última terça-feira, dia 21 de julho.
A causa da morte será informada pelo Instituto Médico Legal.”

Leia abaixo a íntegra da nota da Ufscar:

Professora Doutora Mariana de Oliveira Fonseca-Machado, enfermeira obstetra, mestre e doutora pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP, era docente e pesquisadora da área da Saúde da Mulher do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de São Carlos. Com base em seu conhecimento e acompanhamento médico durante o pré-natal, que evidenciou uma gestação sem intercorrências, aguardou a evolução para um parto natural.
Assim, a Prof.a Mariana entrou em trabalho de parto no sábado, dia 11 de julho, estando acompanhada por profissional capacitado durante todo o processo. Para continuidade do trabalho de parto, encaminhou-se ao hospital no início da noite do mesmo dia, chegando ao local em perfeito estado de saúde. Algumas horas depois, Mariana foi submetida à cesariana, tendo a oportunidade de pegar sua filha no colo e amamentá-la.
Posteriormente, foi encaminhada ao quarto junto com sua filha e, poucas horas depois, iniciou um quadro de complicações, que resultou no trágico desfecho. Infelizmente, preconceitos em relação ao parto natural e a “cultura de cesariana” brasileira, associados à falta de responsabilidade no compartilhamento de informações nas redes sociais e na mídia, levaram a divulgações equivocadas sobre o caso.
Dados científicos indicam que a cesariana aumenta o risco de morte materna em 3-5 vezes, comparada ao parto normal. Dentre todas as causas de morte materna a hemorragia é a mais frequente delas.
Em solidariedade à família da professora Mariana, o Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de São Carlos manifesta seu profundo repúdio às manifestações sensacionalistas veiculadas. Como instituição dedicada à promoção de conhecimento, convidamos toda a comunidade à reflexão e colaboração para que a verdade deste triste episódio seja esclarecida, contribuindo para a melhora do cuidado à saúde das grávidas do Brasil.
São Carlos, 24 de julho de 2015.