Estamos longe de entender protagonismo da mulher, diz Coren-SP sobre morte de professora após parto

Por FABIANA FUTEMA

O Coren-SP (Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo) divulgou nota lamentando a morte da enfermeira Mariana de Oliveira Fonseca Machado, 30. Professora da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos, Mariana morreu na terça-feira, 11 dias depois de cesárea realizada após tentativa de um parto domiciliar.

Para o Coren-SP, em vez de procurar culpados pelo caso, é preciso fazer uma análise minuciosa desse caso de morte materna.

“O fato é que ainda estamos longe de entender o protagonismo da mulher no processo de parturição, ou seja, respeitar sua vontade e prover maior acesso de informações, associado às evidências científicas para que possa tomar a decisão segura”, diz nota assinada pelo grupo de trabalho saúde da mulher do Coren-SP.

A morte de Mariana causou debate sobre a questão do parto humanizado. As primeiras notícias que foram publicadas diziam que ela chegou à Santa Casa de São Carlos depois de 48 horas de tentativa de parto domiciliar.

Esse período de tempo foi alvo de contestação. Nota divulgada pela Ufscar na sexta-feira dizia que ela foi levada para o hospital no mesmo dia em que entrou em trabalho de parto, chegando lá em “perfeito estado de saúde” (leia nota da Ufscar).

Outra questão lembrada é que existe uma diferença entre pródromos e trabalho de parto, segundo a obstetriz Ana Cristina Duarte. Nos pródromos, que costumam anteceder o trabalho de parto, a grávida tem contrações sem ritmo com intervalos de até 10 minutos. Essa fase pode durar dias.

As primeiras notícias informavam que ela estava acompanhada de uma doula. Amigos da enfermeira disseram ao Maternar que além de uma doula, Mariana também era assistida por uma enfermeira obstetra. O marido dela é médico anestesista.

O Coren-SP diz que não vai especular sobre o que aconteceu. “Não concerne nesse momento conjecturas e distorções sobre o ocorrido.”

A causa da morte de Mariana será informada pelo IML (Instituto Médico Legal).

Leia abaixo a nota do Coren-SP?

O COREN-SP, por meio do Grupo de Trabalho Saúde da Mulher – GTSM, constituído pela Portaria COREN-SP/DIR/059/2015, vem a público solidarizar-se com a família da enfermeira Mariana de Oliveira Fonseca Machado, por ocasião do seu falecimento.

Entendemos que o caso requer análise minuciosa de todo o episódio, pois não se trata de culpabilizar a mulher ou profissionais, mas sim da análise de uma morte materna, número este que aumenta a cada dia em nosso país.

O fato é que ainda estamos longe de entender o protagonismo da mulher no processo de parturição, ou seja, respeitar sua vontade e prover maior acesso de informações, associado às evidências científicas para que possa tomar a decisão segura.

O Grupo de Trabalho Saúde da Mulher – GTSM do COREN-SP acompanhará o caso, junto ao Comitê de Mortalidade Materna e Infantil da Região e ao laudo do Instituto Médico Legal, para posteriormente se pronunciar quantos aos eventos reais; e não concerne nesse momento conjecturas e distorções sobre o ocorrido.

Encerramos essa nota externando nossa solidariedade à família e dizemos que esta morte não foi em vão, visto que Mariana acreditava na mudança do modelo assistencial no País e compete a todos nós prosseguirmos com esta luta.

Grupo de Trabalho Saúde da Mulher – GTSM