Com apoio do empregador, executivas estendem período de amamentação

Por FABIANA FUTEMA
Cynthia Diaféria pode levar filha e marido para uma viagem de trabalho logo após retornar da licença-maternidade (Arquivo Pessoal)
Cynthia Diaféria pode levar filha e marido para uma viagem de trabalho logo após retornar da licença-maternidade (Arquivo Pessoal)

O apoio da empresa em que a mulher trabalha pode ser crucial para a manutenção da amamentação após o fim da licença-maternidade. No Brasil, a lei garante 120 dias de licença-maternidade, embora o período mínimo sugerido para a amamentação exclusiva seja de seis meses.

Para incentivar as mulheres a atingirem esse período, algumas empresas ampliaram a licença para 180 dias. Esse é o caso da Pfizer, Bank of America Merrill Lynch e L’Oréal.

A farmacêutica da Pfizer Cynthia Diaféria, 39, retornou há seis meses da licença-maternidade e ainda amamenta a filha, de 1 ano e 2 meses. “Sempre tive muita vontade de amamentar o máximo de tempo possível e havia muita expectativa em imaginar se o meu corpo responderia a esse desejo. No retorno às atividades, as preocupações eram várias: reprogramar a rotina com o bebê, incluir a tarefa adicional de ordenhar o leite e armazená-lo.”

Um mês após a volta ao trabalho, Cynthia precisou fazer uma viagem de negócios e pode levar o marido e a filha. “É uma tranquilidade a mais ter essa opção e não ter de ficar longe do bebê.”

Irene Camargo, diretora de Recursos Humanos da Pfizer, diz que possibilidade das mães que amamentam viajarem acompanhadas é a que “oferece mais tranquilidade” às funcionárias. “Essa é uma forma de incentivo e apoio à amamentação prolongada.”

SALAS DE AMAMENTAÇÃO

Mais do que licença ampliada, essas companhias oferecem outros benefícios, como salas de amamentação.

Camila Stolf, administradora do Bank of America Merrill Lynch, mãe de dois meninos _de 1 e 3 anos_ foi usuária dessa sala de lactação por quatro meses, período em que conseguiu manter a amamentação após o fim da licença-maternidade.

Segundo ela, essa sala “possui poltrona, frigobar para guardar o leite e especialmente, higiene e privacidade para poder garantir o uso nos horários necessários”.

A administradora diz que foi essencial contar com o “apoio das copeiras, que me ajudavam lavando e esterilizando as mamadeiras, bicos, reduzindo o tempo em que ficava fora da mesa.”

Ela também diz que colaborou muito a “compreensão dos gestores para suas ausências de 20-30 minutos por duas vezes ao dia”.

O tema da campanha de amamentação de 2015, comemorada de 1 a 7 de agosto, é “amamentar e trabalhar: para dar certo o compromisso é de todos”.

Essa é uma realidade ainda pouco conhecida pela maioria das trabalhadoras. Das 12 mil empresas que ofereciam licença estendida em 2013, só 80 possuíam salas de amamentação. O Ministério da Saúde deve divulgar novos dados sobre o tema nesta sexta.

Simone de Carvalho, do grupo AMS Brasil (Apoio Materno Solidário), diz que o apoio das empresas é fundamental para as mulheres manterem a amamentação após o retorno ao trabalho.

Segundo ela, as mães precisam retirar o leite excedente decorrente da falta de sucção do bebê durante o período de trabalho. “Essas salas de amamentação contribuem  muito para a continuidade do aleitamento materno, fundamental no primeiro ano de vida dos bebês, garantindo a qualidade de vida global da empresa também.”

Camila admite que o apoio do banco foi fundamental para seu projeto de aleitamento. “Certamente teria desistido antes se o banco não desse apoio.”

Camila teve ajuda de copeiras na sala de amamentação do banco (Arquivo Pessoal)
Camila teve ajuda de copeiras na sala de amamentação do banco (Arquivo Pessoal)

CRECHE, HOME OFFICE, HORÁRIO FLEXÍVEL

Em tempos de crise e emprego em queda, falar em tantos benefícios trabalhistas pode parecer viagem. Mas é realidade nessas multinacionais, que oferecem vale-creche e outros incentivos.

Na Pfizer, o vale-creche é pago até a criança completar 6 anos, 11 meses e 30 dias.

Além disso, a empresa possui programa de home office uma vez por semana, horário de trabalho flexível e saídas mais cedo às sextas-feiras e nas vésperas dos feriados prolongados. Nestes dias, todos os funcionários, não só as mães, podem sair até duas horas mais cedo. E há creche na Unidade de Guarulhos (SP).

DESDE A GRAVIDEZ

A L’Oréal lançou em 2013 um programa global de saúde,  maternidade/paternidade para todos seus funcionários.

Uma das linhas do programa é o ‘Mães a Bordo’, que dá um kit de boas vindas para as grávidas.

Assim que anuncia sua gravidez para a empresa, a funcionária da L’Oréal passa a ser monitorada mensalmente, recebendo informativos de saúde e dicas sobre a gravidez. Ela recebe palestras, além de ajuda no planejamento da licença-maternidade e da volta ao trabalho.

Após o parto, o programa ainda avalia o estado geral da mãe e do bebê.

Sala de amamentação da L´Ooréal (Divulação)
Sala de amamentação da L´Oréal (Divulação)