Apesar de lei, mães ainda são incomodadas por amamentar em público

Por FABIANA FUTEMA
Edilaine ouviu mulher dizer ao filho que  mamar no peito era 'cocô' (Arquivo Pessoal)
Edilaine ouviu mulher dizer ao filho que mamar no peito era ‘cocô’ (Arquivo Pessoal)

Várias cidades aprovaram leis proibindo qualquer tipo de estabelecimento, público ou privado, de constranger mães que amamentam em público. Apesar de a proteção existir no papel, muitas mães ainda são abordadas quando dão o peito ao filho fora de casa.

Levantamento realizado em outubro pelo grupo AMS (Aleitamento Materno Solidário) com 250 mulheres de diversos Estados identificou as maneiras como essa abordagem é realizada.

Segundo a sondagem, a maior parte das abordagens é feita por outras mulheres (70%). Só 30% foram feitas por homens.

Entre os motivos dados por essas pessoas para convencer a mãe a não amamentar em público estava a falta de pudor, o constrangimento sentido pelos homens do local e que o bebê era grande demais para mamar no peito.

Houve até quem dissesse que amamentar em público era desrespeitoso e que as mães deveriam procurar um local adequado para alimentar o filho.

Entre as mães que se sentiram constrangidas, 53% disseram que a abordagem aconteceu de maneira hostil.

Os locais em que mais ocorreram esse tipo de abordagem foram shoppings, museus e teatros (31%), seguidos por espaços públicos (25%).

Questionadas sobre a eficácia da criação de mais salas de amamentação para acabar com esse tipo de constrangimento, 56% não acreditam que essa seja a melhor solução para o problema.

Em vez disso, 86% disseram que a criação de uma iniciativa do tipo “amigos da amamentação” traria melhores resultados para acabar com o constrangimento das mães que amamentam na rua.

ECA, COCÔ!

A enfermeira Edilaine Porto Dias, 34, moradora de Manaus, não imaginava que seria abordada num salão de beleza quando amamentava o filho.

Ela havia viajado para Cuiabá, cidade do seu marido, quando uma senhora sentou-se ao seu lado e começou a conversar com seu bebê.

“Essa senhora, ignorando minha presença, tocou meu seio e olhando para meu bebê disse: ‘Eca, cocô!’ Eu fiquei sem ação, sem entender e ela continuou, fazendo o discurso que era feio mamar.”

Depois de entender a situação, Edilaine conseguiu dar uma resposta para a mulher. “. Eu disse que isso não se fazia, se ela gostaria de ouvir isso durante sua refeição.”

Mas essa não foi a única vez em que ela ouviu conselhos contrários à amamentação. “Já ouvi que amamentar bebês após 4 meses de idade já não é normal, que configura incesto,”

A OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda que os bebês recebam exclusivamente leite materno durante os primeiros seis meses de idade.

Depois dos seis meses, a criança deve começar a receber alimentação, juntamente com a amamentação, até os dois anos de idade – ou mais.

Para que isso aconteça, a OMS e o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) iniciar a amamentação nas primeiras horas de vida da criança; 2) amamentação exclusiva; 3) que a amamentação aconteça sob demanda; 4) não usar mamadeiras nem chupetas.

Enfermeira foi constrangida ao amamentar em público (Aquivo Pessoal)
Enfermeira foi constrangida ao amamentar em público (Aquivo Pessoal)
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