Contran adia exigência de cadeirinha em van, e entidades criticam retrocesso

Por FABIANA FUTEMA
Motoristas de van escolar dizem que veículos não possuem cinto de três pontos para segurar cadeirinha (Foto: Fabio Braga/Folhapress)
Motoristas de van escolar dizem que veículos não possuem cinto de três pontos para segurar cadeirinha (Foto: Fabio Braga/Folhapress)

O presidente do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), Alberto Angerami, anunciou no Senado nesta quarta-feira que será adiado o início da obrigatoriedade do uso de cadeirinhas e assentos em vans escolares. A exigência entraria em vigor em 1º de fevereiro de 2016.

Ele participava de audiência pública das Comissões de Educação e de Serviços de Infraestrutura. Nessa audiência, representantes dos motoristas de transporte escolar alegaram que essa exigência era desnecessária.

“Temos um serviço que é seguro e aprovado, com sinistralidade zero. Esse índice é inquestionável”, disse o diretor da Artesul (Associação Regional de Transporte Escolar de São Paulo), Jorge David Salgado.

Mas as entidades de defesa do consumidor e da segurança infantil criticaram o adiamento. A Proteste (Associação de Consumidores) e a ONG Criança Segura consideram lamentável o adiamento do prazo para a exigência de cadeirinhas e assentos de elevação em vans.

Em notam afirmam que pedirão ao Contran que fixe nova data para entrada em vigor da medida, até junho de 2016.

“Trata-se de um retrocesso, pois os acidentes envolvendo estes veículos trazem consequências desastrosas para as vítimas e suas famílias”, critica Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste.

As duas entidades pedirão a criação de uma comissão composta por especialistas em segurança veicular para apresentar soluções técnicas que viabilizem a instalação dos dispositivos no transporte escolar para cintos de segurança de dois e três pontos.

“A forma mais segura de transportar crianças é na cadeirinha, pois ela é projetada de acordo com o seu tamanho e para retê-la no veículo, distribuir a força da colisão de forma igual pelo corpo e proteger partes frágeis do corpo, como cabeça, pescoço e coluna”, alerta Gabriela Guida de Freitas, coordenadora nacional da ONG Criança Segura.

“Mas é preciso que ela seja instalada corretamente para de fato garantir a proteção da criança.”

Segundo a Proteste e ONG Criança Segura, o uso das cadeirinhas é importante até para evitar transtornos aos condutores de transporte escolar.

QUEIXAS DOS MOTORISTAS

Segundo os motoristas de van, existem vários empecilhos que dificultam a implantação da medida. Um deles é o fato de os veículos saírem de fábrica com cinto de dois pontos, e não de três.

“Seria preciso dar um prazo para o setor poder comprar novos veículos que já saíssem de fábrica com esse cinto de três pontos”, diz Hélio Neves, presidente da Artesul.

Outra queixa é que as vans transportam crianças de diferentes faixas etárias em turnos diferentes. Com isso, os motoristas não teriam onde colocar cadeirinhas usadas para crianças menores quando transportassem um grupo mais velho.

(Com informações da Agência Senado)