Pediatras americanos ‘liberam’ celular para crianças menores de 2 anos

Por FABIANA FUTEMA
Alunos do berçário Primetime Child Develop . ( Foto: Karime Xavier/Folhapress)
Alunos do berçário Primetime Child Develop . ( Foto: Karime Xavier/Folhapress)

A Academia Americana de Pediatria admitiu neste mês que pretende rever sua recomendação sobre o uso de tecnologias por crianças. Até então, a entidade aconselhava que crianças menores de 2 anos não deveriam ser expostas a nenhum tipo de tela, incluindo computador, tablet, televisão e celular. E para as maiores, a exposição não deveria superar 2 horas diárias.

Só que a evolução tecnológica combinada à precoce presença de aparelhos na vida das crianças obrigou os membros da academia americana a repensarem suas orientações de 2011.

“Em um mundo em que ‘tempo de tela’ está se tornando simplesmente ‘tempo’, nossas políticas devem evoluir ou ficar obsoletas”, informa nota da academia.

A entidade admite ainda que as primeiras diretrizes sobre o tema foram traçadas “com base nas evidências científicas que datam do lançamento da primeira geração de Ipads”. “Hoje, mais de 30% das crianças americanas usam aplicativos móveis enquanto ainda usam fraldas”, diz a academia.

Segundo pesquisa citada pela academia, 75% das crianças americanas de 13 a 17 anos possuem smartphones e 24% admitem usar seus aparelhos constantemente.

Apesar da guinada de postura, isso não significa que liberou geral. Cada família deve adotar o padrão que considera adequado para a exposição das crianças às novas tecnologias.

A nova recomendação da academia americana sobre o tema deve ser publicada somente em 2016. Enquanto isso não acontece, a entidade divulgou algumas linhas que devem nortear a relação entre pais, filhos e o uso da tecnologia. Veja algumas delas abaixo. Elas podem ser um norte na relação familiar com a tecnologia.

SEJA UM MODELO PARA SEU FILHO

Limite você também seu tempo de uso de computador, celular e televisão. Envolva-se em atividades com seu filho sem ter o celular sempre a mão. Faço uso da etiqueta na internet.

MATERNIDADE NÃO MUDOU

A relação entre pai e filho não mudou por conta da chegada dessas tecnologias. Brinque com seu filho, ensine limites. Conheça seus amigos e saiba com quem ele conversa na vida real ou virtual. Saiba para onde ele vai.

APRENDEMOS UNS COM OS OUTROS

As crianças muito pequenas aprendem melhor na comunicação com outra pessoa. O tempo de conversação” entre cuidador e a criança é um fator crítico para o desenvolvimento da linguagem. Assistir passivamente a vídeos não ensinam o idioma para bebês e crianças. Quanto mais interativa a tecnologia, maior seu valor educacional.

A IMPORTÂNCIA DO CONTEÚDO

A qualidade do conteúdo é mais importante do que a plataforma ou do que o tempo gasto com o aparelho. Preocupe-se mais com a forma como seu filho utiliza a tecnologia do que o tempo que ele passa envolvido com ela.

ENVOLVA-SE COM SEU FILHO

A participação da família facilita a interação social e aprendizagem. Jogue com ele, por exemplo. Sua perspectiva influencia a forma como seu filho compreende a sua experiência. Para bebês e crianças , co- visualização é essencial.

ESTABELEÇA LIMITES

O uso da tecnologia , como qualquer outras atividade, deve ter limites razoáveis. O uso da tecnologia ajuda seu filho, mas também pode dificultar a participação em outras atividades.

CRIE ZONAS LIVRES DE TECNOLOGIA

Preserve o horário das refeições da família. Tire os aparelhos de tela do quarto dos filhos. Essas ações incentivam a convivência familiar e hábitos mais saudáveis para domir.

CRIANÇAS CONTINUARÃO SENDO CRIANÇAS

As crianças vão cometer erros usando novas tecnologias . Estes podem ser momentos para a aprendizagem. Fique atento, entretanto, para situações excepcionais que podem colocar a segurança da criança em risco ou que indique algum problema comportamental

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