Obstetras do PR querem tirar do ar site que divulga taxa de cesárea dos médicos

Por FABIANA FUTEMA
ANS diz que operadoras devem continuar cobrindo cesárea a pedido (Efe)
Sogipa quer tirar do ar site Nascer Bem (Efe)

A Sogipa (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Paraná) entrará com ação na Justiça para tirar do ar o site Nascer Bem, que informa as taxas de cesárea e de parto normal dos médicos de Curitiba.

O site é resultado de um trabalho do curso de jornalismo de dados da Universidade Positivo, coordenado pela professora Rosiane Correia de Freitas.

“Estávamos esperando por uma solução amigável. Como a universidade não vai tirar o site do ar, vamos ter de recorrer à Justiça”, diz o presidente da Sogipa, Sheldon Botogoski.

No entendimento dele, a divulgação das taxas de cesárea e de parto contraria a resolução da ANS (Agência Nacional de Saúde Complementar) que determinou que os planos de saúde informassem esses dados para suas clientes.

“Os dados podem ser informados de forma individual, não em um site ou blog. Não se pode fazer um ranking de profissionais. Isso expõe os profissionais”, afirma Botogoski.

Procurada pelo Maternar, a ANS ainda não informou se esse entendimento da Sogipa sobre a resolução está correto.

Botogoski diz ainda que existem dados incorretos no trabalho, como pediatras listados como obstetras com 100% de parto normal. E também mastologistas incluídos como obstetras.

Ele disse que não pediu a correção desses dados, pois a entidade quer a retirada total da lista do ar.

Rosiane afirma que essa é a primeira vez que uma entidade de classe tenta retirar um trabalho do seu curso. “E já fizemos outros trabalhos polêmicos. No ano passado, por exemplo, fizemos a lista dos restaurantes mais sujos de Curitiba.”

Ela diz que depois de conversar com a universidade fará algumas adaptações no trabalho, como trazer apenas os dados dos médicos referentes ao ano de 2014. “É isso que o que diz a resolução.”

 A professora defende a divulgação das taxas de cesárea e de parto normal pela internet para toda a sociedade. “Esconder isso, como quer essa entidade, parece fazer crer que a mulher não saber fazer escolhas próprias.”