Com surto de microcefalia, governo quer identificar grávidas para antecipar o pré-natal

Por FABIANA FUTEMA
Editoria/Folhapress
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O Ministério da Saúde lançou nesta segunda-feira um protocolo de atendimento a mulheres em idade fértil e bebês com suspeita de microcefalia. O documento prevê uma série de medidas voltadas para o planejamento reprodutivo, bem para identificação precoce da gravidez.

Com isso, a expectativa é antecipar o pré-natal das futuras gestantes, e assim detectar possíveis suspeitas de bebês com microcefalia.

Para isso, o Ministério da Saúde vai ampliar a distribuição de testes rápidos de gravidez nas unidades da Atenção Básica do país.

“Queremos antecipar o pré-natal para que os exames laboratoriais e a ultrassonografia sejam realizados no primeiro trimestre da gravidez”, disse o  secretário de Atenção à Saúde, do Ministério da Saúde, Alberto Beltrame.

O objetivo dessa medida, segundo ele, é acompanhar o desenvolvimento do feto, dar assistência adequada às gestantes e promover a estimulação precoce às crianças microcéfalas.

Os agentes comunitários serão orientados a buscar possíveis grávidas e gestantes faltantes ao pré-natal.

As visitas desses agentes também será mais frequente: será reduzida para a cada 30 dias _antes ocorriam a cada 60.

Nas visitas, os agentes deverão anotar na caderneta das gestantes a ocorrência de machas vermelhas, febre e infecção. Aquelas que apresentarem esses sintomas serão orientadas a procurar um médico.

PARTO

O protocolo também trata dos cuidados com a gestante e bebês com suspeita de microcefalia. Entre os procedimentos defendidos estão os mesmos para bebês sem microcefalia, como estímulo ao nascimento por parto normal, contato pele a pele entre bebê e mãe, amamentação na primeira hora e clampeamento oportuno do cordão.

AMAMENTAÇÃO

Para acalmar as mães com medo de transmissão do vírus zika pelo leite, o Ministério da Saúde reforça que não há evidências desse tipo de contágio, nem por urina, saliva ou sêmen. E por isso amamentação deve ser a principal fonte de alimentação do recém-nascido até os dois anos de idade, sendo exclusiva até os seis meses.

IDENTIFICAÇÃO DE CASOS

O protocolo determina que os recém-nascidos com suspeita de microcefalia serão submetidos a vários exames, como a medição do perímetro cefálico.

São considerados microcefálicos aqueles com circunferência craniana menor de 32 centímetros.

Para avaliação neurológica, eles também deverão passar por exames de imagem, como a US-TF (Ultrassonografia Transfontanela). Quando a estrutura óssea da moleira impedir esse exame, a avaliação será feita por tomografia _menos recomendada por haver maior emissão de radiaçã.

Também serão feitas coletas do sangue do cordão umbilical e da placenta das crianças nascidas com suspeita de microcefalia.

Para verificar a capacidade auditiva, os bebês passarão pelo Peate (Potencial Evocado Auditivo do Tronco Encefálico ), que pode ser feito ainda na maternidade.

PREVENÇÃO

Como o adiamento da gravidez parece ser a recomendação mais indicada em meio à epidemia de microcefalia, o protocoo reforça o papel das equipes de saúde na oferta de métodos contraceptivos e na orientação de mulheres em idade fértil e casais.

O documento diz que a Saúde deverá garantir acesso aos métodos contraceptivos.

Para as mulheres que desejam engravidar, as equipes darão esclarecimentos sobre a atual situação dos casos de microcefalia no país.

O último boletim informa a ocorrência de 1.761 casos suspeitos de microcefalia em 422 municípios de 14 Estados.