Italiana manda buscar brasileira para fotografar parto; veja vídeo

Por FABIANA FUTEMA
Giulia amamenta Amedeo após queda do cordão umbilical (Foto: Elis Freitas Fotografia)
Giulia amamenta Amedeo após queda do cordão umbilical (Foto: Elis Freitas Fotografia)

As irmãs italianas Elena e Giulia Cechetto, 26, são gêmeas idênticas. Mais do que aparência, as duas compartilham os mesmos interesses. Um deles é pelo parto natural.

Elena é parteira e Giulia trabalha como fotógrafa de partos na região do Vêneto, na Itália.

Quando Giulia engravidou, ela queria que o nascimento do filho fosse documentado por alguém que compreendesse a importância daquele momento.

“Eu acredito que o nascimento é um momento muito especial e precioso para se recordar e reviver com fotos e vídeos. É um presente que poderei dar ao meu filho quando ele crescer, para que ele possa saber como veio ao mundo”, afirma Giulia.

Mas por que buscar no Brasil uma fotógrafa? “Não encontrava ninguém na Itália que fizesse esse trabalho”, diz Giulia. “

Foi sua irmã, a parteira Elena que apresentou a ela as fotos de Elis. As imagens estavam publicadas em uma página do Facebook. Elena diz que foi ela quem procurou Elis e perguntou se ela poderia fotografar o parto da irmã na Itália.

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PARTO DE LÓTUS

Apesar de já ter filmado e clicado centenas de partos, foi a primeira vez que Elis registrou um nascimento de lótus, quando o cordão umbilical não é cortado. Dessa forma, o contato do bebê com a placenta é mantido por mais alguns dias. Essa ligação só é cortada quando o cordão se desprende naturalmente do bebê.

Para Giulia, a escolha por esse tipo de parto tem a ver com a recepção que ela queria fazer ao filho. “Não cortei o cordão umbilical porque essa é a maneira mais doce, espiritual e não traumática para vir ao mundo.” Segundo ela, há crenças envolvendo aspectos fisiológicos e espirituais entre os que defendem o parto de lótus.

“Há benefícios físicos para o bebê que fica mais tempo ligado à placenta neste momento ainda frágil da vida. E também há as motivações espirituais, como acreditar que bebês nascidos de lótus terão a oportunidade de formar toda a ‘aura’ e, dessa forma, serão mais tranquilos e estarão espiritualmente ligados.”

Giulia diz que sempre quis esse tipo de parto. “Eu acredito que era o melhor para mim e para os meus sentimentos.” E o que ela fez com a placenta depois? A italiana e o marido plantaram a placenta junto com uma árvore frutífera. “Dessa forma, meu bebê poderá se alimentar novamente dos frutos que serão gerados dessa árvore.”

A outra será usada em um remédio homeopático para o bebê. (Famosos como Kim Kardashian já anunciaram que transformaram sua placenta em cápsulas e não foram criticadas). “É uma maneira espiritual de agradecimento [plantar a placenta]. Você pode plantá-la com algumas intenções, com desejo de boa sorte para o bebê ou junto com uma árvore. Aí essa árvore se torna especial para seu filho”, diz Giulia.

Segundo ela, essa cerimônia não teve motivação religiosa. “Ou durante toda minha gravidez o ‘canto carnático’, usada durante o parto para ajudar a mulher a ir além da dor. Foi essa música que tocamos. É uma espécie de canção de ninar para meu bebê.”

COSTUMES DIFERENTES

Elis diz que se encantou com o costume dos moradores daquela região de enfeitar a casa e carros para anunciar o nascimento de uma criança. Como era um menino, eles colocaram um enfeite azul na porta.

Uma diferença em relação à rotina de nascimento do Brasil? No caso de Giulia, foi ela, a mãe, que tomou vitamina K vira oral. No Brasil, a vitamina é aplicada de forma intramuscular (injeção) no recém-nascido.Essa vitamina é recomendada para evitar hemorragias.

Giulia diz que a Itália tem as maiores taxas de cesáreas da Europa, e que esse índice varia de acordo com a região do país. No sul há mais cesarianas que no norte.

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