Pediatra alerta sobre falsa notícia de prisão de mães que amamentam em público

Por FABIANA FUTEMA
Marina amamenta seu bebê na primeira hora de vida (foto: Lela Beltrão/Coletivo Buriti)
Marina amamenta seu bebê na primeira hora de vida (foto: Lela Beltrão/Coletivo Buriti)

Horrorizadas, muitas mulheres compartilharam uma notícia nos últimos dias que falava sobre a aprovação de uma lei que previa prisão de cinco anos para mães que amamentassem em público. Chocante, não? Principalmente aqui no Brasil, onde diversas cidades aprovaram leis proibindo constranger mulheres que amamentam em público.

Só que a notícia sobre a detenção era falsa, segundo o pediatra Moisés Chencinski. “Nos textos publicados são citados nomes dos deputados que redigiram e supostamente aprovaram por unanimidade essa lei, baseados no fato de ser essa [amamentação em público] uma das grandes causas do estupro de mulheres. Os políticos citados são do México e nem lá e nem aqui existe tal lei”, diz Chencinski.

Para ele, a divulgação desse tipo de notícia pode prejudicar o aleitamento materno. “Em um período em que o aleitamento materno já não se mostra tão adequado como deveria, boatos como esse só trazem mais insegurança e falta de apoio às mães que buscam informação para criar seus filhos da melhor forma possível”, afirma.

Seguido por muitas mães, Chenciski sugere que as internautas evitem espalhar notícias que possam causar pânico sem uma comprovação. Outra conduta é buscar sempre saber quais foram as fontes daquela informação.

“Ao mesmo tempo em que podemos usar a internet para dar dicas, orientações e sugestões que facilitam a vida das pessoas, também aparecem (des)informações, muitas vezes feitas na base da brincadeira e outras na maldade mesmo, com intenção de ganhar atenção e ‘curtidas’, que podem criar pânico e insegurança”, diz.

 

MICROCEFALIA X RUBÉOLA

Outro boato que se espalhou na internet e já foi negado pelo Ministério da Saúde, Sbim (Sociedade Brasileira de Imunizações) e SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) seria a possível relação entre a microcefalia e as vacinas contra a rubéola.

“A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) manifesta seu veemente repúdio em relação às recentes informações, principalmente veiculadas em redes sociais, sobre a possível relação entre vacina de rubéola e microcefalia. A vacina de rubéola, por ser composta de vírus vivo, não é administrada durante a gestação e antes de ser distribuída aos Estados e municípios para ser utilizada, passa por rigoroso controle de qualidade. Portanto, o boato é completamente desprovido de qualquer confiabilidade”, diz nota da SBI.

X