Não é recomendado amamentar filho de outra pessoa

Por FABIANA FUTEMA
Daniela amamenta Renatinho (Foto: Reproduão/Instagram Daniredetv)
Daniela amamenta Renatinho (Foto: Reproduão/Instagram Daniredetv)

Apesar dos elogios dos fãs nas redes sociais, a atitude da apresentadora Daniela Albuquerque, da Rede TV!, de amamentar o filho de outra pessoa, é contra-indicada pela OMS e proibida por portaria. Utilizando a hashtag #defensoradamamamentação, ela publicou uma foto no Instagram na qual aparece amamentando o bebê de uma telespectadora.

“Hoje eu fui mãe de leite Amamentei esse anjinho. (Renatinho)”, escreveu ela.

Isso aconteceu quando ela foi visitar uma telespectadora que recebeu ajuda do programa quando estava grávida. Na visita,  a mãe disse para Daniela que tinha dificuldades para amamentar. Foi então que a apresentadora amamentou o bebê.

A portaria 1.016, publicada em 1993, determina que uma das funções dos agentes de saúde é proibir a amamentação cruzada, quando uma mãe dá de mamar ao filho de outra pessoa, dentro de hospitais e maternidades.

“Essa foi uma prática muito comum até que crianças muito novinhas começaram a adoecer de forma desconhecida e se descobriu que, além de poderem se contaminar no parto, poderiam, também receber a carga viral através do leite materno”, diz o pediatra Moisés Moisés Chencinski. indicado para a presidência do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

A amamentação cruzada é contra-indicada pelo Ministério da Saúde e OMS (Organização Mundial de Saúde) . A contra-indicação consta do Manual Normativo para Profissionais de Saúde de Maternidade, elaborada pelo Ministério da Saúde.

Quando a portaria foi publicada no Brasil, vários países adotavam medidas para evitar a transmissão do HIV e outras doenças infecto-contagiosas. A portaria diz que uma das atribuições dos agentes de saúde é proibir a amamentação cruzada. A portaria, entretanto, não tem força de lei e não prevê nenhuma punição para a mulher que amamentar o filho de outra. Na prática, isso ainda acaba acontecendo, apesar da recomendação contrária.

A fonoaudióloga Cris Gomes alerta que “por mais que se conheça a mãe, jamais se pode ter certeza de sua condição de saúde”. “Além disso, o vínculo deve ser estabelecido e mantido com a mãe, com vistas ao desenvolvimento emocional saudável. O bebê reconhece o cheiro, o som da voz, o ruído do coração, encontra a mama da mãe que tem uma textura e um tamanho conhecido”, escreveu ela em texto para a campanha”Ofereça apoio, não seu peito” .

Para o pediatra, essa proibição merece uma reflexão nos tempos atuais. “A grande questão é que para amamentar é necessário que a mulher não ofereça risco nem para seu filho e muito menos para o de outras mães. Em algumas poucas situações essa proibição é permanente, como no caso de mães soropositivas. Em outras a suspensão é temporária. Mas, cada caso é um caso e precisa ser avaliado individualmente. Sempre com cuidado e sempre seguindo algumas recomendações médicas”, afirmou ele.

E o que as mães com dificuldade para amamentar devem fazer? O indicado é procurar um banco de leite, onde o leite doado foi pasteurizado. Lá, é feita a pasteurização do leite, com aquecimento a 62,5º por 30 minutos.

Veja aqui endereços dos bancos de leite humano. Se você tiver produção excedente, doe seu leite ao banco mais próximo da sua casa.