Pai dá cozinha rosa para filho aprender que não existe brinquedo de menina ou de menino

Por FABIANA FUTEMA
Foto mostra Ernesto brincando com sua cozinha nova (Crédito Reprodução/Facebook/Arthur William)
Foto mostra Ernesto brincando com sua cozinha nova (Crédito Reprodução/Facebook/Arthur William)

O professor universitário Arthur William, 31, deu ao filho Ernesto, de 2 anos meio, um brinquedo que muitos pais teriam receio de comprar. Ele presenteou o menino com uma cozinha de brinquedo. E cor de rosa.

“Compramos uma cozinha de brinquedo para que nosso filho aprenda desde cedo que não tem essa de ‘coisa de menina’. Cores, tarefas e locais não determinam sexualidade de ninguém”, escreveu ele em foto publicada em seu perfil no Facebook.

Publicada no sábado, imagem viralizou e já foi compartilhada mais de 2.000 vezes. Entre a centena de comentários, havia mensagens de elogio ao professor, mas também de críticas.

Ao Maternar, Arthur diz que a divisão de brincadeiras de meninos e meninas reflete a separação das tarefas adultas entre os sexos. “É importante educar as crianças já com a visão de que essa barreira não existe. Homem cozinha e faz tarefas domésticas. Assim como mulheres jogam futebol, correm de carro e são ícones em esportes de luta.”

Ele critica essa separação de cor por gênero, pois meninos e meninas devem se apropriar de todas as cores.

“Quando criança queria comprar uma prancha cuja borda era rosa. Meus pais insistiram em comprar a de borda cinza, mas gostava mais da composição do azul com rosa. Compramos a cor desejada e usei as prancha durante boa parte da infância até a adolescência. Neste período, a pressão social é muito grande em pessoas ainda inseguras. Só fui voltar a usá-la depois de adulto. Não quero que meu filho passe por esses preconceitos” afirmou.

Gláucia Faria da Silva, psicóloga do Hospital Infantil Sabará, diz que a brincadeira é uma experimentação, um ato de apropriação e elaboração que as crianças fazem do mundo que conhecem. “Crianças brincam de tudo e o brincar deve ser livre.”

No entanto, algumas brincadeiras ainda são vistas como exclusivamente femininas ou masculinas. Arthur diz que também gostava de cozinhar. “Mas havia muito preconceito e quando passei a entender isso, deixei de brincar com tudo o que realmente queria, ficando apenas com o que era socialmente aceito. Essas barreiras são prejudiciais às crianças que querem apenas brincar.”

Para ele, o adulto não precisa insistir em determinada cor ou brincadeira, mas deve incluí-las na vida das crianças de forma natural. “Meu filho brinca de carro, futebol, mas também de cozinha. Tem brinquedos azuis, verdes, amarelos e também rosas. Na verdade, só queremos mostrar que tarefas e cores são comuns a todas as pessoas.”

E o que ele espera para o futuro de seu filho? “Isso para que ele se torne um adulto que vai construir um mundo com menos preconceitos. Queremos que o mundo e as pessoas melhorem e não que eles andem para trás.”

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Contei a Arthur que meu filho de 4 anos também adora brincar de cozinha, mas não tem uma de brinquedo. Por isso, ele brinca com as minhas panelas de adulta.

E não é que o Ernesto também usava as panelas da casa para brincar? “Meu filho usava as de verdade também, por isso compramos a cozinha de brinquedo para evitar que se machucasse.”

Seu filho também brinca de cozinha? Conte para o blog no e-mail blogmaternar@gmail.com

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Aguarde, teremos novos textos discutindo essa questão de divisão de brinquedos por gênero.

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Abaixo, um vídeo comercial, mas que toca nessa questão de como as crianças são ensinadas a seguir modelos determinados para meninas ou para meninos.