Saiba o que fazer se o filho quiser comer ração de cachorro

Por FABIANA FUTEMA
A empresária Tatiana, a filha Stella e seu marido; menina queria comer ração da cachorra da casa  (Foto: Arquivo Pessoal)
A empresária Tatiana, a filha Stella e seu marido; menina queria comer ração da cachorra da casa (Foto: Arquivo Pessoal)

O pote de ração do cachorro ou gato pode parecer um prato tentador para seu filho. Afinal, aquelas bolinhas até se parecem com o cereal que os pais misturam ao leite no café da manhã.

A empresária Tatiana Máximo, 33, viveu essa experiência dias atrás. A filha Stella, de 3 anos, começou a dizer que se chamava Mia, a cachorra da casa. Além de brincar de rosnar, ela também queria comer a ração da cadela.

Numa tentativa de diminuir o interesse da garota pela ração, Tatiana deu um pouco para ela provar. “Peguei um potinho de plástico e coloquei uns grãos. Ela pegou o pote e ficou toda feliz, comendo como se fosse salgadinho”, disse Tatiana ao Maternar.

Segundo ela, a menina parou de pedir ração depois. “Acho eu perdeu a graça depois que dei.”

Antes de oferecer, Tatiana conversou com a filha, disse que não podia comer, mudou o pote da cachorra de lugar e lacrou o saco de ração. “Nada resolve, ela dá um jeito e quando menos espero lá está ela com um punhado de ração na boca”, escreveu ela em um grupo de mães no Facebook.

Várias das mães que comentaram a publicação de Tatiana disseram que seus filhos também tiveram interesse por ração em algum momento da infância.

O temor da empresária era que a ração causasse algum efeito colateral. “Hoje em dia existem tantos estudos e fórmulas para enriquecer a nutrição, que acho que grande mal não vai causar, talvez uma dor de barriga.”

Ary Lopes Cardoso, chefe de Nutrologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP, diz que os pais não devem deixar crianças comerem a ração dos animais da casa. “A ração não foi feita para a criança, é comida para o animal.”

Além da composição nutricional não ser a adequado para a alimentação infantil, Lopes Cardoso afirma que há a questão da higiene. “Por mais que a casa e o cachorro sejam limpinhos, o animal acaba babando em cima do pote, seus pelos caem, é uma coisa suja.”

A saliva do animal pode conter bactérias que fazem mal para a criança.

Stella nunca chegou a pegar a ração do pote, ela ia direto na embalagem da comida animal. Para a mãe, o comportamento pode estar atrelado ao início das aulas. “Está em fase de adaptação, faz 15 dias que começou a ir à escola. Então está em um período de confronto, diz ‘não’ para tudo.”

Segundo o pediatra, os pais devem evitar que a criança tenha acesso ao local em que a ração é colocada. “Troca a ração de lugar ou coloca uma barreira, uma portinha, para impedir o acesso.”

Lopes Cardoso diz que sempre ensina aos pais três mandamentos da criação: 1) não comparar com outra criança; 2) ter bom senso; 3) faça o filho vir morar na sua casa, e não você morar na dele.