Jamie Oliver, Adele e a polêmica sobre a amamentação

Por FABIANA FUTEMA

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O chef e apresentador Jamie Oliver causou polêmica na internet ao defender que o Reino Unido melhore sua taxa de amamentação. Ele não fez nada de errado, apenas sugeriu aquilo que é preconizado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que é amamentar os bebês exclusivamente com leite materno até os seis meses.

O problema foi a forma como ele se expressou. Ele disse que amamentação era “fácil, mais conveniente, mais nutritiva, melhor e grátis”.

Não que ele tenha falado alguma mentira. A questão é que a amamentação não é fácil para muitas mulheres. Justamente por isso elas precisam se apoio e informação para ter sucesso nessa empreitada.

Após a enxurrada de críticas, Oliver foi ao Twitter se desculpar e informar que não iria liderar nenhuma campanha pela amamentação _ele já comandou uma pela redução do açúcar nos alimentos.

“Eu percebo que amamentar nem sempre é fácil e em muitos casos nem sequer é possível. Só queria demonstrar apoio às mulheres que amamentam e que fazem com que amamentar seja possível. A nutrição na infância começa com o devido apoio às mulheres grávidas e eu espero que o sr. Cameron [primeiro-ministro do Reino Unido] esteja envolvido nesta estratégia contra a obesidade”, escreveu o chef.

As desculpas de Oliver não chegaram até a cantora Adele. Questionada se era fácil amamentar, ela disse que só conseguiu amamentar o filho por nove semanas.

“A pressão colocada sobre nós para amamentar é f… de ridícula. Todas as pessoas que nos pressionam por isso devem ir se f…, certo? Porque é difícil. Algumas de nós simplesmente não conseguem”, respondeu a cantora durante um show em Londres.

Adele afirmou que chegou a se sentir um fracasso por não conseguir amamentar Angelo por mais tempo “Amamente se você puder, mas não se preocupe. A fórmula é muito boa. Tudo o que eu queria era alimentá-lo e eu não consegui e me senti como ‘se eu estivesse na selva e meu filho fosse morrer porque meu leite tinha acabado.’

No Brasil, a taxa de crianças amamentadas exclusivamente com leite materno subiu de 2% na década de 80 para 39 em 2006, segundo estudo da revista ‘The Lancet’.

Já a Pesquisa de Prevalência de Aleitamento Materno, de 2008, mostrou que na duração média do período de aleitamento materno exclusivo é de 54 dias no Brasil. Ou seja, ainda temos muito para conquistar.