Com casos reais, cineasta mostra ansiedade da espera pela chegada do filho adotivo

Por FABIANA FUTEMA
Antonio, Ana Amélia, Helena e Berliner; casal conta histórias de adoção (Divulgação)
Antonio, Ana Amélia, Helena e Berliner; casal conta histórias de adoção (Divulgação)

Gestações biológicas podem durar 40 semanas, um pouco mais ou menos. Mesmo sem 100% de precisão, a grávida tem uma noção de quanto tempo terá de esperar para segurar o filho no colo. Já as mães adotivas não sabem quanto tempo terão de aguardar, pois o processo de adoção pode levar anos.

“É uma espera angustiante. A grávida sabe que seu bebê pode vir prematuro, mas elas têm um tempo para pensar e sentir a barriga crescer. As mães adotivas não têm esse mesmo tempo”, diz Ana Amélia Macedo, coautora do livro “Histórias de Adoção: As Mães”.

Ela e o marido, o cineasta Roberto Berliner, têm dois filhos adotivos: Antonio, 14 anos, e Helena, de 11. Os pais receberam as crianças quando elas tinham poucos dias de vida.

A adoção de Antonio e Helena é uma das várias que são contadas na série ‘Histórias de Adoção’, dirigida por Berliner e exibida toda terça-feira, às 23h, no GNT. Um dos episódios mostra a história de um casal que esperou 3 anos e dez meses pela chegada do filho.

Ana Amélia e Berliner não esperaram tanto por Antonio, pois ele se tornou filho do casal por meio da adoção direta, também chamada de consensual ou dirigida _normalmente acontece quando a família já está com a criança pretendida. Para adotarem Helena, eles entraram no CNA (Cadastro Nacional de Adoção). A adoção direta é proibida desde 2009.

Antes de partirem para a adoção, Ana Amélia e Berliner tentaram ter um filho biológico. “Mas não conseguíamos. E adoção não é caridade, eu não conseguia engravidar. O filho veio dessa forma. E ainda bem que existe essa solução”, diz Ana Amélia.

Segundo ela, as famílias em processo de adoção devem procurar grupos para conversar sobre as principais questões que envolvem essa decisão, como o luto de não ter um filho que tem o nariz do marido ou a boca da mulher. “Existem várias elaborações que precisam ser feitas para a família estar inteira para receber a criança quando ela chegar.”

Depois dessa elaboração, Ana Amélia diz que os pais vão perceber que é possível formar uma família tão boa, amorosa e legítima quanto outra com filhos biológicos.

“Os problemas, as alegrias e preocupações são os mesmos. Todos dão alegrias e preocupações”, afirma ela.

Como algumas mães adotivas, Ana Amélia conseguiu amamentar um pouco. Ela foi a um médico que a orientou sobre a forma de estimular o aleitamento. “Ele prendeu uma bolsinha com leite ao mamilo por meio de um caninho. Aí sai um leite que não é o seu. Mas a sucção estimula a produção de leite e eu até tive um pouco. Foi muito legal.”

Além da série, Berliner também dirige o curta-metragem ‘Buscando Helena’, que mostra a chegada da filha. “Com o Antonio não deu para filmar tudo, pois foi meio corrido. Já com a Helena deu para registrar tudo desde o início”, conta Berliner.

Ana Amélia diz que não faz comparações entre o tipo de ansiedade que vive a mãe adotiva e aquela que está grávida. “Adoção é muito emocionante, muito bacana. Não tenho tendência de fazer comparação.”