Ex-BBB Adriana fala sobre depressão pós-parto e redução do desejo sexual

Por FABIANA FUTEMA
Adriana diz que chorava e se sentia muito irritada após dar à luz (Foto: Instagram @santanaadriana)
Adriana diz que chorava e se sentia muito irritada após dar à luz (Foto: Instagram @santanaadriana)

A ex-BBB Adriana Sant’Anna, 25, quis muito ser mãe. Ela e o marido tentaram engravidar por três meses. O filho do casal, o menino Rodrigo, nasceu há dois meses e é lindo. Mas em vez de ficar feliz, ela diz que só chorava após o nascimento do bebê.

“Eu chorava 24 horas por dia. Ainda estou muito sensível. Não sofria pelo meu filho, sofria por mim. Tinha muita oscilação de humor. Eu me preocupava com as pessoas ao meu redor. Ficava irritada com minha irritação”, afirma ela.

Segundo Adriana, sua obstetra havia alertado sobre o risco de ter depressão pós-parto. “Mas eu dizia que não, imagina, era tão feliz, iria ter um filho que eu queria tanto. Só que isso foge do controle, não dá para saber por que está acontecendo.”

Para Adriana, o que mais a assustava era o medo de não saber cuidar do filho. “Chorava por medo de não saber dar conta, não chorava por ele. [Chorava] Por não saber como seria minha vida dali para frente.”

Outro problema é o confinamento. Como muitas mães, Adriana se sentiu presa em casa, pois achava que só podia sair quando o filho tivesse tomado as vacinas dos 2 meses.  “Ficava trancada em um quadrado. Achava que minha vida se resumia a uma casa fechada, pois não podia sair até os dois meses. Agora que estou podendo sair.”

A psicóloga Ana Merzel Kernkraut diz que estudos mostram que de 10% a 15% das mulheres têm depressão pós-parto. “O nascimento do bebê é um momento muito especial para a mulher. É quando acontece uma mudança de papéis. Ela deixa de ser filha para assumir o papel materno.”

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Outro quadro muito comum é o chamado baby blues, que atinge até 85% das mulheres. Diferentemente da depressão pós-parto, o baby blues costuma desaparecer cerca de 15 dias após o nascimento do bebê.

“O sintoma mais óbvio é o choro e a irritação, é quase fisiológico, mas os sintomas desaparecem. Quando isso não acontece, é preciso verificar se não é depressão pós-parto”, afirma a psicóloga.

Entre os fatores que pressionam o lado emocional das mulheres está a nova rotina de mãe, que inclui noites mal dormidas. “A tendência é dela se se adaptar. Tudo tende a ficar mais tranquilo. Mas quando vai se exacerbando, precisa fazer diagnóstico e iniciar o tratamento”, diz Ana.

Segundo ela a depressão pós-parto é uma depressão como outra qualquer. O agravante é que ela acontece em um momento em que a mulher precisa cuidar de um recém-nascido.

“Preocupa porque é um momento que poderia ser vivenciado de uma maneira gostosa. E quando estamos nessa situação, significa que a gente não aguenta nem a gente mesmo. Como dar conta do outro? Preocupa porque o desenvolvimento do bebê se dá pela relação com o cuidador.”

Nesse momento, contar com uma rede de apoio e proteção pode ser fundamental para superar a depressão pós-parto.  Essa ajuda pode vir de diversas formas, segundo a doula Janie Paula.

“Não precisa resolver a mulher, cuidar do bebê dela. Às vezes basta levar uma água, um chá, um bolinho. Ajudar a cuidar do bebê para ela tomar banho. Ou ficar na sala com o bebê para ela dormir três horas seguidas. Cada uma tem um jeito diferente de vivenciar esse processo”, diz Jane.

No caso de Adriana, ela não contou com esse apoio. Ela e o marido decidiram cuidar sozinhos do bebê e dispensaram a ajuda das avós. “Não queria que elas dessem pitacos.”

Ela também não leu sobre maternidade durante a gravidez, mas diz se arrepender disso hoje. “Achava que ia piorar, ficar bitolada. Na internet, as pessoas julgam demais. Só que o bebê nasceu e eu não sabia nada.”

DESEJO SEXUAL

A ex-BBB diz que a vida sexual dela e do marido não voltou ao mesmo ritmo que era antes de dar à luz.

“O relacionamento homem-mulher não voltou até agora”, conta Adriana.

Ela diz que o marido, o também ex-BBB Rodrigão, não a pressiona. “Mas tenho medo de perder meu marido.”

Segundo Adriana, o marido está sendo muito compreensível. “Tenho que pensar nele, não posso pensar só em mim. Isso pesa ainda mais, além do lado mãe e lado mulher. Ele não me pressiona, eu me pressiono.”

A psicóloga diz que leva tempo para a mulher sentir desejo sexual se estiver deprimida. “Ela não está voltada para o relacionamento sexual. Não é a prioridade dela, não está bem consigo mesma.”

A obstetra Carolina Ambrogini diz que é normal a mulher perder o desejo sexual enquanto está amamentando. Nessa fase, segundo ela, o útero fica em repouso e a mensagem que o cérebro recebe é que a mulher não está pronta para engravidar. E a função do sexo, para o corpo, é engravidar.

“O corpo se prepara para a lactação. Do ponto de vista hormonal, quando a placenta sai, o nível hormonal cai 200 vezes. Isso traz uma série de mudança e desestabiliza os neurotransmissores cerebrais, promovendo uma oscilação do humor”, afirma a obstetra.