Conselho de Odontologia vai investigar caso de aluna que diz furar gengiva de criança que chora

Por FABIANA FUTEMA
Conversa do Face entre supostas estudantes de Odonto (Reprodução)
Conversa do Face entre supostas estudantes de Odonto (Reprodução)

O Crosp (Conselho Regional de Odontologia de São Paulo) divulgou nota nesta quarta (4) informando que “está adotando medidas pertinentes para averiguar a veracidade dos fatos” relacionados a uma postagem no Facebook de supostas alunas de um curso de Odontologia da cidade.

Na conversa divulgada nas redes sociais, uma das alunas diz que furou a gengiva de um menino que chorava enquanto ela fazia a profilaxia.

Segundo ela, a professora que “sempre berra com crianças que fazem birra” pediu que tomasse uma atitude com o garoto que chorava. “Eu peguei a carpule e dei uma furadinha na gengiva dele, o moleque deu um PULO aí eu falei: vc quer com dor ou sem dor? Aí ele sem dor, ai eu falei então abre a boca e fica quieto! NÃO CHOROU MAIS NADA”, escreveu ela na postagem.

A amiga da conversa responde que olha feio para que as crianças fiquem quietas. “Mas FURAR amei.”

Os nomes dos perfis das duas supostas alunas não podem mais ser localizados no Facebook.

O Crosp afirma que vai fazer a “identificação dos citados, em prol da ética, da proteção da população e da valorização da Odontologia”.

Segundo o Crosp, é comum haver “manifestações de medo e ansiedade por parte do paciente, em especial quando se trata de crianças, que geram a necessidade de o profissional recorrer a estratégias de comunicação para estabelecer uma relação de confiança, com o uso de técnicas de controle de comportamento e condicionamento”.

Mas afirma que “não há qualquer recomendação técnica no sentido de furar a gengiva do paciente para estabelecer um vínculo de respeito, confiança e colaboração”.

“[…] O Crosp repudia toda e qualquer conduta que visa estigmatizar os procedimentos odontológicos e a figura do cirurgião-dentista como um profissional que provoca dor ou que se relaciona com seus pacientes de forma desumana ou antiética”, diz a entidade.