Criança vai querer sozinha deixar a cama compartilhada, diz pediatra espanhol

Por FABIANA FUTEMA
Carlos Gonzáles diz que colo demais não deixa criança mal acostumada (Foto: Divulgação)
Carlos Gonzáles diz que colo demais não deixa criança mal acostumada (Foto: Divulgação)

Condenada pela SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), a cama compartilhada divide opiniões de especialistas. Para a entidade, o método amplia o risco de morte súbita dos bebês.

Já o pediatra espanhol Carlos Gonzáles diz que a cama compartilhada traz benefícios para a amamentação. Em relação aos riscos, ele diz que o sistema não deve ser usado por mães fumantes.

Gonzáles é autor dos livros livro ‘Manual Prático de Aleitamento Materno’ e ‘Bésame Mucho’. Em “Bésame Mucho”, Gonzáles fala da importância da criação com apego para o desenvolvimento das crianças.

Leia abaixo o que ele fala sobre cama compartilhada:

Maternar – Até quando os pais podem compartilhar a cama?

Carlos Gonzáles – Enquanto os pais e as crianças quiserem. Há um estudo na Suíça que indica que até os 4 anos, 40% das crianças dormem na cama dos pais ao menos duas noites por semana. Aos 10 anos, esse percentual cai para 12%. A criança vai querer sair quando cresce. Vai ter uma idade que ela não vai querer dormir nem se os pais pedirem por favor.

Maternar – Dormir junto facilita a amamentação?

Gonzáles – Obviamente, facilita. É mais difícil se o bebê está em um berço, e é ainda mais difícil se o bebê está em outro quarto.

Maternar – A cama compartilhada reforça o vínculo com entre mãe e filho?

Gonzáles – A ligação não tem relação com dormir junto ou separadamente, mas com a confiança que a criança desenvolve a partir de sua experiência de sobre o que pais farão caso chore ou necessite de alguma coisa. É possível atender uma criança que dorme em outro quarto. O problema é que a mãe tem que acordar muitas vezes. Compartilhar torna isso mais confortável para todos.

Maternar – O que o senhor pensa sobre os riscos de morte súbita?

Gonzáles – Quando a mãe fuma ou fumou durante a gravidez, o risco de morte súbita é maior. Aumenta se a criança dorme separada, e aumenta ainda mais se dorme com a mãe. Se a mãe fuma, não deve compartilhar a cama com o filho nos primeiros três meses. Mas ainda há um risco. Então, o que realmente é claramente recomendado é não fumar. É perigoso para aquele que fuma, para seus filhos e outros parentes.