Complementar mamada com leite artificial por questão de peso é um erro, diz especialista

Por FABIANA FUTEMA
A mamada do bebê Gael/Foto: Lela Beltrao/Coletivo Buriti de Fotografia
A mamada do bebê Gael/Foto: Lela Beltrao/Coletivo Buriti de Fotografia

A maioria das mães leva seus bebês todos os meses a consultas mensais com o pediatra. Nessas consultas, o médico pesa e tira as medidas corporais da criança. O problema é que se o bebê amamentado exclusivamente com leite materno perde peso, logo a qualidade e quantidade do leite da mãe vão ser questionadas.

“Parece que tudo tem a ver com o peso do bebê”, diz o pediatra canadense Jack Newman, especialista em amamentação.

Só que isso é um erro, segundo ele. A começar pelas diferentes balanças usadas na pesagem do bebê. Newman diz que o peso do bebê pode apresentar resultados divergentes somente pelas diferenças de precisão entre as balanças da sala de parto, do berçário e a do pediatra.

Por isso, afirma o canadense, não há uma indicação precisa sobre complementar  com leite artificial somente pelo fato de o bebê ter perdido 10% de seu peso depois de nascer.

Outro fator que interfere no peso são os fluídos intravenosos que as mães recebem durante a cesárea e que são transferidos para o bebê. “Ele não perdeu peso, perdeu líquido”, afirma Newman.

O que a mãe deve observar, segundo ele, é se o bebê realiza uma boa pega. Se não abocanhar a mama corretamente, terá dificuldade para sugar o leite. O problema então não é a quantidade de leite da mãe, mas o fato de o bebê não conseguir extraí-lo.  Se o bebê não faz uma boa pega, a mãe sentirá dor ao amamentar e seus mamilos provavelmente terão fissuras.

Newman participou do Siaparto (Simpósio Internacional de Assistência ao Parto), realizado em São Paulo.

Antes de decidir o que é melhor para seu filho, procure um pediatra da sua confiança. Ele poderá avaliar se o bebê está se desenvolvendo bem.

Em sua apresentação, Newman apresentou vários casos de bebês com dificuldade para amamentar atendidos na clínica que ele coordena em Toronto.

Um dos casos era de um bebê de cinco meses que não ganhava peso. Em vez de suspender o leite materno e entrar com o artificial, a equipe de Newman recomendou que a mãe iniciasse a introdução alimentar. Resultado: bebê ganhou peso e continuou mamando no peito.

Newman citou também informações incorretas ou desatualizadas relacionadas à amamentação que são transmitidas para as mães. Uma delas é a de que os bebês devem mamar a cada três horas, sendo 20 minutos em cada seio.  “O bebê deve mamar sempre que sentir fome”, afirma o pediatra.

A posição que ele considera ideal para o bebê mamar é quando seu queixo encosta no seio da mãe. Além da pega correta, o pediatra afirma que a mamada está correta quando o bebê realiza pequenas pausas _entre sugar e engolir.

Bebês cansam de mamar, perguntou ele.  “Eles respondem ao fluxo. Se o fluxo cai, o bebê adormece.”

Em seu site, Newman responde a dúvidas sobrea amamentação em vários idiomas, inclusive o português. Conheça a página: http://www.breastfeedinginc.ca/content.php?pagename=doc-BF-port