Nem todo bebê que nasce com língua presa precisa fazer o ‘pique’, diz fonoaudióloga

Por FABIANA FUTEMA
Kenzo nasceu com a língua presa, mas mama bem (Reprodução/Facebook)
Kenzo nasceu com a língua presa, mas mama bem (Reprodução/Facebook)

O teste da linguinha em recém-nascidos é obrigatório desde 2014 no país. Esse teste pode diagnosticar eventuais alterações no frênulo lingual que podem causar a chamada língua presa.

“Ela é provocada pelo excesso de tecido na região inferior da língua, que deveria ter desaparecido ainda na gravidez. Tal excesso causa uma limitação na movimentação da língua e pode impedir que a criança sugue, mastigue, engula e fale corretamente”, diz a fonoaudióloga Lílian Kuhn .

O teste da linguinha pode ser feito ainda na maternidade. No caso de bebês nascidos em instituições sem fonoaudiólogos, os pais devem pedir encaminhamento para esse profissional na primeira consulta com o pediatra.

“Qualquer alteração de freio lingual deve ser avaliado e tratado o quanto antes para evitar maiores consequências”, afirma Lílian.

Mas não é toda criança com ‘língua presa’ que precisa fazer o ‘pique’ –um corte no freio para dar mais movimento para a língua.

“A necessidade [do pique] varia conforme a alteração anatômica, o grau de limitação da movimentação da língua e a funcionalidade da língua, ou seja, como o bebê tem conseguido se adaptar e usá-la”, afirma Lílian.

Mesmo que não haja necessidade imediata de intervenção cirúrgica, segundo ela, a alteração lingual deve ser observada periodicamente. Para alguns casos, um tratamento clínico fonoaudiólogico com exercícios e estratégias compensatórias pode ser indicado.

A fisioterapeuta Cecília Futema, 35 anos, tem um bebê de dois meses. Kenzo nasceu com a língua presa.

“A pediatra disse que analisando a linguinha, naquele momento, achava melhor não cortar. Mas que se começasse a atrapalhar na mamada e ele tivesse dificuldade para ganhar peso, precisaria reavaliar”, diz a mãe.

Como o bebê vem ganhando peso, Cecília acha que o bebê não precisará passar pelo procedimento cirúrgico.

A fonoaudióloga Irene Marchesan, do Cefac, diz que a cirurgia pode ser feita em qualquer momento da vida. “Se estiver atrapalhando as funções realizadas pela língua, como mastigar, engolir, falar, dar beijo de língua.”