Não existe leite fraco; sucesso da amamentação depende da posição e sucção

Por FABIANA FUTEMA
Mãe de trigêmeos amamenta (Foto: Lela Beltrão/Coletivo Buriti de Fotografia)
Mãe de trigêmeos amamenta (Foto: Lela Beltrão/Coletivo Buriti de Fotografia)

Um dos maiores temores das mães é o de não conseguir amamentar o bebê. E não é para menos. O ato de amamentar deixou de ser instintivo e passou a ser ensinado.

Muitas mulheres não foram amamentadas quando bebês, então não podem contar com a experiência das mães para ajudá-las.

O obstetra Corintio Mariani Neto, diretor-técnico do Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros, referência em banco de leite humano em São Paulo, diz que a chave para o sucesso da amamentação é a posição e a sucção corretas.

“A mãe deverá estar relaxada e confortável, o corpo do bebê encostado ao seu, com cabeça e tronco alinhados e seu queixo deve tocar o peito materno. O braço da mãe será o suporte de apoio do bebê. Para a sucção correta, o bebê deverá estar com a boca bem aberta, de modo a cobrir quase toda a parte inferior da aréola mamária, o lábio inferior voltado para fora, sua língua acoplada ao peito, suas bochechas estarão arredondadas, a sucção será lenta e profunda intercalada por pequenas pausas, de modo que se consiga ver ou ouvir os movimentos de deglutição”, afirma o especialista.

Outra queixa comum das mulheres é a dor causada por fissuras nos mamilos. O que os especialistas dizem é que se está doendo é porque o bebê não está fazendo uma pega adequada do peito.

“É muito importante a mãe aprender que a técnica correta é quando a criança suga a aréola, não o mamilo”, afirma Mariani Neto.

A Semana Mundial de Amamentação é celebrada de 1 a 7 de agosto. O tema deste ano é “amamentação: a chave para o desenvolvimento sustentável”.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda que os bebês sejam alimentados exclusivamente com leite materno até os seis meses. Estudo publicado na revista britânica “The Lancet”, lançado no Brasil em março, mostrou que 39% dos bebês brasileiros recebiam exclusivamente leite materno até os seis meses de vida.

Para Mariani Neto, ainda há muito para o que fazer para chegar a uma taxa maior de amamentação no país.

O obstetra responde abaixo a algumas das principais dúvidas que as mulheres têm sobre amamentação.

Existe leite fraco? Tamanho de peito interfere? Quais as principais preocupações?

Ao mesmo tempo em que a mãe deseja muito amamentar seu bebê, ela tem muito medo de não produzir este leite em quantidade suficiente ou que ele seja fraco, que o bebê não queira mamar no peito. O entendimento por “leite fraco” é uma causa muito frequente para o chamado desmame precoce. Não existe leite fraco nem leite forte, cada mãe produz o leite mais adequado possível para o seu bebê. Além disso, o tamanho do seio não tem influência nenhuma no sucesso da amamentação.

Quais alimentos devem ser ingeridos e quais devem ser evitados?

Dieta balanceada e constituída por carnes magras, aves, ovos, peixes e frutos do mar, verduras, cereais e frutas. Durante a amamentação, sugere-se moderação de alguns produtos que podem provocar alergias ou mesmo gases e cólicas intestinais na criança, como leite de vaca, amendoim, frutas secas, soja, café, chocolate, refrigerantes, chá preto, mate, feijão, repolho e batata doce. Importante beber bastante líquido, pelo menos dois litros por dia, especialmente água natural.

O que fazer para o leite não secar?

Quanto mais a criança suga o peito materno, mais leite é produzido. O que ocorre com muita frequência é que, por falta de conhecimento ou orientação incorreta, a mãe complementa a alimentação da criança com fórmula artificial por meio de mamadeira. Essa introdução precoce do bico artificial pode levar o bebê a recusar o peito, fazendo que o leite diminua progressivamente.

É preciso revezar o peito durante as mamadas?

Durante a mesma mamada, interromper a amamentação para mudar de lado é uma orientação errada. Quando a criança começa a sugar, ela recebe o leite chamado anterior, que está próximo à saída e que é mais diluído. Depois de certo tempo, que é variável, começa a chegar o leite posterior, recém-produzido, que é bem mais rico em gorduras e que sacia a fome do bebê.

É verdade que quando a mulher amamenta, ela não engravida?

Algumas mulheres podem voltar a ovular mesmo no período da amamentação quando o ciclo menstrual pode estar bloqueado devido à supressão dos hormônios. Para prevenir uma nova gravidez, é necessário que a amamentação seja exclusiva com as mamadas frequentes e nenhum intervalo superior a seis horas entre uma e outra. Além disso, vale só para os primeiros seis meses e a mulher não pode ter menstruado. Como esta rotina não é fácil, recomenda-se, para maior segurança, que ela comece a adotar algum tipo de método contraceptivo a partir da sexta semana após o parto.

Pode usar pílula anticoncepcional durante a amamentação?

É possível encontrar pílula anticoncepcional desenvolvida especialmente para as mamães que estão amamentando, que é composta de progestagênio, hormônio que pode ou não inibir a ovulação, dependendo do tipo e dosagem. Existem as minipílulas e as pílulas só de progestagênio em dose maior. Ambas podem ser tomadas a partir da sexta semana depois do parto. Como são livres de estrogênio, não inibem a produção de leite materno nem interferem na sua qualidade e volume. Outro benefício é que não alteram o gosto do leite. Além dessas pílulas, também podem ser usados neste período injeções trimestrais de medroxiprogesterona, implante subdérmico de etonogestrel e o DIU com levonorgestrel.

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