Jovens com depressão pós-parto param de amamentar mais cedo, diz estudo

Por FABIANA FUTEMA
A mamada do bebê Gael/Foto: Lela Beltrao/Coletivo Buriti de Fotografia
A mamada do bebê Gael/Foto: Lela Beltrao/Coletivo Buriti de Fotografia

Adolescentes com depressão pós-parto param de amamentar mais cedo. Isso é o que mostra estudo conduzido por Juliana Cafer, mestranda da Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto.

A pesquisa verificou que o tempo médio de amamentação entre jovens com depressão pós-parto é bem inferior aos seis meses de amamentação exclusiva recomendados pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

Segundo Juliana, o tempo médio de amamentação variou de 15 (mínimo) a 30 dias (máximo). Em vez de o leite materno ser a principal fonte de alimentação para os bebês dessas adolescentes, ele era usado como complemento das mamadas com leite integral (caixinha) ou artificial.

“As participantes oferecem em maior quantidade os outros tipos de leite durante o dia e esporadicamente o seio materno, geralmente quando a criança solicita. O leite materno é tratado como alimentação complementar aos outros tipos de leite”, diz Juliana.

Entre os motivos citados pelas jovens para o desmame estão a dificuldade e a pouca disponibilidade para amamentar.

“Elas acreditam que a amamentação é algo que prende mãe e bebê e tira liberdade de dar continuidade à vida anterior da gestação, sendo a mamadeira considerada uma aliada frente a situação de desconforto em amamentar”, diz Juliana.

O trabalho pesquisou o comportamento e a percepção sobre amamentação de 14 adolescentes entre 12 e 19 anos com sintomas de depressão pós-parto.

“As mães adolescentes tendem a ter mais facilidade para desenvolver a doença devido às particularidades da própria idade, como insegurança, medos, poucas condições financeiras para arcar com os custos do bebê e ainda ter que abrir mão de atividades comuns da própria idade. Para assumir o papel materno, elas precisam abdicar da vida que tinham antes”, afirma a pesquisadora.

Juliana diz que os sintomas de depressão pós-parto influenciam a auto-estima da mulher e, por consequência, a amamentação.  “Isto interfere na percepção das mães adolescentes sobre a eficácia do seu leite e também sobre a quantidade produzida. Elas acreditam  que seu leite é insuficiente para fazer com que o bebê cresça e se desenvolva de forma adequada e também desistem da amamentação com facilidade, logo nos primeiros obstáculos.”

Também interfere sobre esse comportamento a falta de conhecimento das jovens sobre amamentação. “Elas apresentam muitas dúvidas com relação a efetividade do leite materno e acabam introduzindo fórmulas lácteas, leite de vaca e papas antes dos seis meses de vida do bebê”, afirma Juliana.

O estudo identificou que a maioria das jovens se informa sobre amamentação e cuidados com om bebê pela internet. “Elas consideram a amamentação algo que se restringe a alimentação infantil, não associando com os benefícios de construção de vínculo mãe e bebê”, diz a pesquisadora.

Para incentivar as jovens a prolongar a amamentação, Juliana diz que é muito importante que a família dê apoio e suporte emocional.

“É importante que a família e o parceiro ofereçam ajuda para cuidar do bebê para que a mulher tenha descanso adequado e suficiente. Também é imprescindível a presença de um profissional de saúde que possa acolher, orientar, apoiar e incentivar o aleitamento materno oferecendo meios para que a mulher possa vivenciar a maternidade da forma mais saudável possível”, afirma Juliana.