Precisa mesmo dar a meningo B? Veja o que infectologista diz sobre essa vacina

Por FABIANA FUTEMA
Criança toma vacina em posto de saúde de SP (Foto: Rivaldo Gomes -25.abr.2011/Folhapress)
Criança toma vacina em posto de saúde de SP (Foto: Rivaldo Gomes -25.abr.2011/Folhapress)

Aprovada no Brasil desde 2015, a vacina contra a meningite do tipo B havia sumido das clínicas particulares _ela não está disponível na rede pública. Preocupados com a doença, pais chegaram a entraram em listas de espera na expectativa de serem avisados quando novas doses da vacina chegassem às clínicas.

Além da dificuldade para achar a vacina, os pais esbarravam em mais outros problemas. São necessárias, no mínimo, duas doses da meningo B, que devem ser tomadas com um intervalo de dois meses entre uma e outra.

Com a falta do produto, quem tomou a primeira dose corria o risco de não encontrar vacina para a segunda dose nesse intervalo de tempo.

Outro dificultador é o preço. Fabricada por apenas um laboratório, o GSK, cada dose da meningo B custa cerca de R$ 580 em clínicas de São Paulo. Quem tem dois filhos precisa desembolsar R$ 2.320 para completar quatro doses do ciclo vacinal.

Para piorar, ela costuma dar mais reação, como febre, que outras vacinas. É comum encontrar pais perguntando em grupos na internet se vale a pena dar a primeira dose vacina agora sem a certeza de que haverá a segunda dose no mercado.

“Se tiver uma vacina contra doença que é grave e que mesmo que seja tratada adequadamente corre-se o risco de o paciente ficar com sequelas ou morrer, não tenho dúvida da importância dela”, afirma a médica infectologista do Emílio Ribas Rosana Richtmann.

Ela diz que a vacina contra o meningococo B era esperada há anos. “A meningite do tipo C, que era muito frequente em São Paulo, caiu muito devido à vacinação universal [na rede pública]. O segundo sorogrupo mais importante é o B. Se você me perguntar se é importante vacinar, vou dizer que sim, pois é uma doença muito grave. Se fosse outra doença, a resposta poderia ser outra.”

Questionada se era melhor esperar o fornecimento da meningo B ser normalizado para iniciar a vacinação, Rosana disse que “uma dose nunca é perdida”.

“Se começar hoje, teria que tomar próxima dose daqui a dois meses. Se daqui a dois meses, se não tiver, a gente vai dar a vacina assim que ela chegar. Nem que seja com três ou quatro meses de intervalo. As que começarem a ser vacinadas agora vão ter proteção inicial parcial”, afirma a infectologista.

Por conta do desabastecimento, que é mundial, o laboratório fez uma recomendação sobre o intervalo entre as doses. “A sugestão é que a imunização é considerada válida se o intervalo entre as doses for de até seis meses”, diz Rosana.

A infectologista afirma que como profissional de saúde não pode dizer para não vacinar agora.

“Ela não tem um custo baixo, tem potencial reatogênico maior que as outras, temos uma lista imensa de pessoas esperando a vacina. Por que dar? Porque de fato é uma doença muito grave”, afirma Rosana.

Por conta do desabastecimento, algumas clínicas particulares criaram uma lista preferencial formada pelas crianças que tomaram a primeira dose da meningo B. Para que completassem o esquema vacinal, elas eram avisadas sobre a chegada das novas doses.

Os outros problemas envolvendo a vacina, na opinião da infectologista são contornáveis. “Como ela é muito reatogênica, ela é a única vacina em que recomendamos o uso profilático do paracetamol, antes ou logo depois da vacina.”

Sobre o preço, Rosana diz que as famílias precisam se programar financeiramente. “Tem que discutir como viabilizar a imunização. Se tenho como prevenir, vou tentar viabilizar a proteção. Se não consigo, vou me programar para tentar fazer dela uma realidade . É uma questão de priorizar valores.”