Casal quer infância ‘livre’ de consumismo, televisão e tecnologia para os filhos; veja fotos

Por FABIANA FUTEMA
Uma das fotos da série 'Retratos de Yayá' (Crédito:  Irmina Walczak e Sávio Freire/PanoptesnFotografia)
Uma das fotos da série ‘Retratos de Yayá’ (Crédito: Irmina Walczak e Sávio Freire/PanoptesnFotografia)

O casal de fotógrafos Irmina Walczak e Sávio Freire quer que os filhos Yasmin, 5, e Kajetan, de 1 ano, tenham uma infância livre de televisão, tecnologia e consumismo. Moradores de uma casa com um grande quintal arborizado em Brasília, eles querem que as crianças brinquem ao ar livre e cresçam mais próximas da natureza.

Na casa deles não há TV há quatro anos. Por isso, as crianças não estão acostumadas a assistir aos desenhos da Peppa, Luna ou Lady Bug. Sem acesso a esses programas da TV paga, elas também são inundadas pelos vários filmes publicitários que são exibidos nos intervalos.

“A ideia é evitar os excessos e vontades exacerbadas, pois a publicidade contamina todas as crianças. Ficar sem TV não resolve [a questão do consumismo], mas é um passo importante. Infelizmente, no Brasil, a programação infantil é repleta de publicidade e as crianças não sabem se proteger ainda”, afirma Irmina.

Mas não foi sempre assim. Quando Yasmin tinha 1 ano, ela chegou a assistir programas e desenhos infantis.

“Mas a gente observava que ela ficava agitada e que aquele período de TV nunca era suficiente. Parecia que se ela passasse o dia inteiro também seria insuficiente, pois a envolvia tanto, atraía demais e tirava o encanto das brincadeiras comuns por ter tantos estímulos”, diz a fotógrafa.

Segundo ela, a influência da TV parecia deixar a filha “meio monotemática”. “Tudo era daquele personagem, daquela série. Ela acaba teatralizando cenas daquela personagem e deixando de lado um leque enorme de personagens que poderia inventar.”

Irmina diz saber que os filhos terão contato com a tecnologia e com a TV logo mais. “A ideia não é criar crianças totalmente out, a ideia é protegê-los nessa primeira infância, pois é muito fácil cair nos excessos. Um dia ela vai ganhar seu computador, ter seu celular e acesso a jogos.”

Para os que perguntam se ela não está privando os filhos de conhecimento, ela responde: “Ela não está perdendo, pelo contrário, está ganhando em liberdade, em criatividade e possibilidade de vivenciar outras coisas”.

RETRATOS DE YAYÁ

Desde 2012, o casal de fotógrafos iniciou o projeto ‘Retratos de Yayá’, que é uma espécie de diário da infância de Yasmin, vivida à moda antiga.

“Ao longo desses anos, as fotos, feitas quase que diariamente num pedacinho do cerrado que invade nosso quintal, foram publicadas nas redes sociais, em revistas de fotografia e diversas plataformas virtuais”, dizem eles.

Agora, o casal quer reunir as fotos em um livro. Para publicar o livro, eles abriram uma página em um site de financiamento coletivo (clique aqui).

“Agora chegou a hora de depositá-las num lindo livro que vai celebrar não somente a fotografia, a fotografia de família em especial, mas também aquela infância que desejamos para nossas crianças”, escreveu o casal de fotógrafos.

No livro, o casal também vai mostrar como desenvolve seus processos criativos, além dos benefícios e desafios que a infância livre tem plantado no seu caminho.

Falta menos de um mês para a campanha de crowdfunding para publicação do livro se encerrar. O objetivo é arrecadar R$ 45 mil. Já foram coletados R$ 24 mil.

“Queremos cultivar uma sensação que a tela do computador não permite, a de folhear um livro, sentir a textura e o cheiro do papel e com isso potencializar a experiência da foto”, escreveu o casal na página do site de arrecadação.

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