Justiça dos EUA permite que mãe retorne ao Brasil com filho sequestrado pelo pai, diz advogada

Por FABIANA FUTEMA
A professora e o filho Gustavo (Reprodução/Facebook)
A professora e o filho Gustavo (Reprodução/Facebook)

A Justiça americana decidiu que a professora Cheyenne Morena Menegassi, 36, poderá retornar ao Brasil acompanhada do filho, o menor Gustavo Gaskin, de 13 anos. O menino viajou para lá no fim de junho para passar as férias com o pai e não retornou mais.

“A Chey e o Guga tiveram vitória”, escreveu a advogada Camila Carrieri, que representa a professora no Brasil.

Em entrevista à rádio CBN ela afirmou que o juiz permitiu que os dois retornassem ao país. A informação foi confirmada por uma amiga de Cheyenne. “Eles devolveram o Guga para a Chey”, disse Heloísa Soares, amiga da professora.

Ela não soube dizer, entretanto, quando os dois voltarão para o Brasil. Segundo uma amiga da mãe, o passaporte de Guga venceu neste período em que ficou nos EUA.

O pai de Guga, Samuel Gaskin, havia pedido a guarda do menino na Justiça americana. Como Brasil e EUA são signatários da convenção de Haia, o julgamento sobre a guarda do menino deve ocorrer em seu país de residência.

Nascido nos EUA, Guga passou os últimos 11 anos morando com a mãe no interior de São Paulo, segundo a advogada. Eles moram atualmente em Santa Rosa do Viterbo.

Em todo esse período, segundo a mãe, o pai nunca a ajudou a pagar as despesas de Guga nem telefonou para dar parabéns nos aniversários.

Mas neste ano Samuel Gaskin convidou o filho para passar férias com ele em Summertown, no Tennessee. A mãe, que sempre disse ao filho que ele tinha um pai e que eles poderiam se falar quando quisessem, não viu problema no convite.

“Ela tem uma cabeça arejada, sempre incentivou esse contato, queria uma figura paterna na vida do filho. Quando ele ligou chamando para passar férias, ela ficou contente, seria uma oportunidade de ter contato”, diz a advogada Camila Carrieri, que representa a mãe.

Gustavo embarcou em 26 de junho, mas não tomou o voo de volta, que estava marcado para 29 de junho. Samuel ligou para Cheyenne avisando que o filho queria ficar nos EUA. E o menino, que havia levado celular e tablet, não respondia às mensagens da mãe.

Cheyenne viajou no começo de agosto para os EUA para tentar trazer o filho de volta ao Brasil. Nos últimos dias, um grupo de amigos vem pedindo contribuições para ajudar a professora a bancar seus gastos no outro país. Camisetas pedindo a volta de Guga ao Brasil começaram a ser vendidas na internet.

A Coordenação-Geral de Adoção e Subtração Internacional de Crianças e Adolescentes informa que não recebeu informações oficiais sobre os recentes desdobramentos do caso Gaskin.

O Itamaraty diz que o Consulado-Geral do Brasil em Atlanta ofereceu assistência consular, mas não obteve resposta de familiares do menor.