Tinha um fundinho de terra, diz advogada que tomou suco feito com placenta; veja o que fazer com o órgão

Por FABIANA FUTEMA
Kalu dá suco com placenta para Fabiana (Arquivo Pessoal)
Kalu dá suco com placenta para Fabiana (Arquivo Pessoal)

A advogada Fabiana Soares Leme, 37, deu à luz Antônio no último dia 4 em um parto domiciliar em Belo Horizonte (MG).  Depois do parto, a doula e fotógrafa Kalu Brum perguntou se Fabiana queria tomar um suco feito com sua placenta. Na época, a polêmica envolvendo a apresentadora Bela Gil, que ingeriu a placenta após o parto, nem tinha vindo à tona.

“Eu já tinha o plano de guardar minha placenta. Pesquisei e queria fazer tintura e umas cápsulas. Mas não tinha nenhum pudor em ingerir a placenta. A Kalu teve a ideia, me falou e eu achei ótimo. É tão natural no mundo animal, os mamíferos comem a placenta. Acho que não fazem isso à toa. Se é assim na natureza deve ter algum sentido. Os animais se recuperam rapidamente do parto”, diz Fabiana.

A advogada conta que não sentiu o gosto da placenta quando tomou o suco feito pela doula. Kalu fez um suco de pitanga, tangerina e mel e bateu com a placenta. “Estava misturado, não senti o gosto. Tinha um fundinho de terra, mas não era nada muito forte.”

A ingestão da placenta não é uma tema que pegou Fabiana de surpresa. Ela tem uma amiga que consumiu a placenta em forma de sushi após o parto.

Apesar da falta de comprovação científica, os defensores do consumo da placenta alegam que a ingestão do órgão, em suas diversas maneiras, pode trazer benefícios, como redução da perda sanguínea e da depressão pós-parto.

Fabiana conta que perdeu muito sangue no parto e acabou ficou com anemia. Ela acabou tendo de tomar ferro também. “Não sei o que me ajudou mais. Depois, até pensei que poderia ter deixado mais pedacinhos da placenta para tomar depois.”

O restante do órgão de Fabiana está congelado agora. Ela pretende fazer cápsulas e tinta com sua placenta. “Já entrei em contato e estou vendo como faz isso.”

OUTROS DESTINOS PARA A PLACENTA

Já há empresas no Brasil que fazem o encapsulamento da placenta. A celebridade Kim Kardashian, por exemplo, encapsulou a placenta para consumi-la depois.

Há doulas que fazem tintura da placenta, que é usada como uma espécie de produto homeopático para ser usado pela mãe e o bebê ao longo da vida.

Há pessoas que preferem plantar a placenta, preferencialmente perto de uma árvore frutífera.

E também há aquelas que somente usam a placenta para fazer uma espécie de quadro: o órgão é pressionado contra uma folha de papel e forma um desenho muito parecido com uma árvore. É o chamado print ou impressão.

Se você não quiser fazer nada com a placenta e tiver dado à luz em um hospital, o órgão muito provavelmente será incinerado.

O presidente da Febrasgo (federação brasileira de obstetrícia), César Fernandes, diz que a placenta é propriedade da paciente. No parto hospitalar, depois de examinada pelo médico, a placenta costuma ir para o balde e depois para a incineração.

Se o médico achar necessário, pode pedir para o órgão passar por uma análise anátomo-patológica.

“Não havia essa clareza, apesar da obviedade, que a placenta é um órgão da mãe. Se ela pedir, a gente tem que acondicionar e entregar para ela”, afirma o obstetra.

Ele questiona o consumo da placenta para fins nutricionais.”Não vejo razão para ingerir a placenta para suprir micronutrientes ou macronutrientes que elas podem encontrar em sua alimentação normal.”

Para Fernandes, há medicamentos mais eficazes e já testados para evitar o sangramento no pós-parto que a placenta. “Existem fármacos que contraem o útero que são muito eficientes para diminuir a perda sanguínea. Acreditar que a placenta vai fazer isso não faz sentido.”

Por outro lado, ele diz respeitar a decisão e crenças das pacientes. “Não posso me colocar acima da crença das pessoas, mas jamais vou propor como recomendação médica.”

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