Sucesso entre crianças, papelão se transforma em casinha, foguete e o que a imaginação permitir

Por FABIANA FUTEMA
Casinha da Eu Amo Papelão (Divulgação)
Casinha da Eu Amo Papelão (Divulgação)

Quem já viu uma criança abrir presente sabe que as menorzinhas se interessam mais pela embalagem do que pelo conteúdo. Nesse universo da brincadeira, uma caixa de papelão pode se transformar em uma casa ou carrinho. Basta entrar na caixa e usar a imaginação.

Pais habilidosos conseguem incrementar a brincadeira e criar objetos incríveis com papelão, como fogão e geladeira. Há vários vídeos e textos na internet ensinando a fazer brinquedos com esse material (veja abaixo).

Algumas empresas identificaram uma oportunidade e passaram a produzir, em escala industrial, brinquedos de papelão. Caiu como uma luva para pais desajeitados ou com pouco tempo. Em vez de dobrar e recortar caixas, eles só precisam seguir as instruções e montar o brinquedo.

O sucesso dos brinquedos de papelão pode ser explicado por vários fatores, como a satisfação de fazer seu próprio brinquedo.

“As pessoas pesquisam e descobrem como fazer. Há o lado bom de reaproveitar um material descartável. E também estimula a criatividade e a brincadeira entre pais e filhos, pois eles montam juntos”, diz Luciane Motta, criadora a Casa do Brincar.

Entre as empresas que vendem brinquedos de papelão pela internet estão a Eu Amo Papelão e a Cartone Design. Ambas são administradas por casais com filhos.

A gaúcha Eu Amo Papelão foi uma das primeiras a entrar nesse segmento. Ela foi criada há três anos pelo casal Thiago Cestari da Costa e Simone Buksztejn Menda.

Para Simone, o segredo do sucesso do brinquedo de papelão se baseia em duas frentes. Uma delas é a possibilidade da criança montar, pintar, decorar, personalizar seu brinquedo. “Tudo o que a criança constrói é mais legal do que aquilo que já vem pronto.”

O segundo motivo é a interação que ocorre entre pais e filhos durante a montagem do brinquedo.  “Não ser só um caixa, mas a filosofia embutida de geração de momentos felizes através do papelão. É isso que as famílias estão buscando hoje. Com tanta coisa ruim acontecendo no mundo, as pessoas buscam aquilo que faz sentido na vida delas.”

A Cartone Design trabalhava com móveis de papelão, mas entrou recentemente no segmento de brinquedos. “Entrar no segmento de brinquedos foi uma expansão natural do negócio, somos pais e sabemos como esses brinquedos encantam as crianças”, afirma Ana Serino, sócia da Cartone com o marido.

Segundo Ana, o objetivo da Cartone é fazer brinquedos simples, sem muitos detalhes “Nossa ideia é deixar as próprias crianças personalizarem seus brinquedos. E com isso conseguimos garantir preços acessíveis, um dos valores da nossa empresa.”

A Eu Amo Papelão informa que seus produtos são certificados pelo Inmetro e são 100% feitos com papelão kraft, que é o primeiro uso do material. Como foi pioneira nesse segmento, ela investiu no desenvolvimento de brinquedos.

A Cartone informa que está em processo de certificação.

MÃE EMPREENDEDORA

As coincidências entre Ana e Simone vão além do trabalhar com o marido e com papelão. As duas decidiram empreender após virarem mães.

Simone, que era coordenadora de marketing de uma grande empresa, deixou o emprego quando o filho mais velho completou 1 ano.  “Resolvi sair porque estava perdendo momentos  importantes da vida dele, que para mim era mais importante naquele momento.”

Ana era engenheira de alimentos na Sadia quando o marido criou a Cartone Design. “Quando engravidei sabia que não ia voltar, não tinha como passar 12h por dia fora de casa.”

Apesar da possibilidade de acompanhar melhor o crescimento dos filhos, a vida de empreendedora também traz preocupações. “Perdemos alguns privilégios que a estabilidade de um emprego oferece, mas acompanhei de perto o crescimento e desenvolvimento do meu filho, algo que não tem preço.”

A maternidade é fator decisivo para as mulheres que decidem empreender. Pesquisa realizada pela Rede Mulher Empreendedora mostra que 75% das empreendedoras decidiram montar seu próprio negócio após tornarem-se mães.

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Ana entrou no segmento de produtos de papelão após a maternidade (Divulgação)
Ana entrou no segmento de produtos de papelão após a maternidade (Divulgação)