Mãe cria app de babás após dificuldade para achar profissionais com curso de enfermagem

Por FABIANA FUTEMA
Coty com os pais Helton e Priscilla (Arquivo Pessoal)
Coty com os pais Helton e Priscilla (Arquivo Pessoal)

A relações públicas Priscila Fiorin, 37, precisava de uma babá com curso de enfermagem para cuidar da pequena Catarina, mais conhecida como Coty, de 1 ano. A menina nasceu com atresia do esôfago, uma doença rara que causa a má formação do órgão.

Até maio deste ano, a menina se alimentava exclusivamente por sonda. Ela fez uma cirurgia para reconstrução do esôfago, que permitiu que conseguisse se alimentar pela boca.

“Eu precisava de uma babá com curso de enfermagem, em nível técnico, para lidar com a sonda e com a incisão que ela tinha no pescoço”, afirma Priscilla. “Quando eu ia voltar a trabalhar depois da licença-maternidade, foi muito difícil achar babá. Como a Coty tinha sonda, não dava para deixar em escolinha.”

Ela disse que teve a ideia de criar o aplicativo que coloca em contato mães e babás depois da dificuldade que vivenciou para contratar uma.

A relações públicas costumava pedir indicações de babás para as amigas. Uma das dificuldades é o próprio processo seletivo. “Você liga para ver se elas se encaixam no perfil e isso já toma muito tempo. Depois você chama para a entrevista e descobre que não é o que precisa ou a babá quer algo que não se encaixa no seu dia-a-dia, como dormir no trabalho. Perdi noites de sono preocupada sobre o que faria quando voltasse a trabalhar.”

Ela fez o plano de negócio do aplicativo quando terminava um MBA na FGV (Fundação Getúlio Vargas). “Ficou tão legal que resolvi executar. Meu marido trabalha com tecnologia e desenvolveu a plataforma.”

Priscilla diz esperar que o AppNanny ajude outras mães a não passarem pela mesma dificuldade que ela. “Eu ficava mandando mensagem para as babás ou pedindo indicação para as amigas e me perguntava por que nao havia um app em que eu pudesse pesquisar em qualquer lugar e a qualquer hora.”

Entre os diferenciais do AppNanny é que as babás não pagam nada para se cadastrarem no aplicativo. “Uma pessoa que está buscando trabalho não tem que pagar por isso”, diz a criadora do serviço.

Outra possibilidade é pesquisar a babá de acordo com diferenciais profissionais, como disponibilidade para viajar, falar outro idioma ou ter experiência em cuidar de crianças com deficiência ou doenças raras.

“Nossa ideia é que a família possa achar qualquer perfil de babá, da mais qualificada até uma sem experiência. Seja para trabalhar como mensalista, folguista ou qualquer outra necessidade”, afirma Priscilla.

Durante a pesquisa, a família pode saber a avaliação que a profissional já recebeu, além de ler comentários deixados por outros usuários.

Como o aplicativo funciona? Após a pesquisar as profissionais cadastradas, é preciso comprar créditos para visualizar o perfil completo da babá. Cada crédito dá direito a acessar um perfil. Os pacotes de crédito variam de R$ 25 (cinco créditos) a R$ 250 (60 créditos). Haverá uma degustação gratuita do serviço neste mês de novembro.

Para cadastrar as babás, os donos do app checam informações, como documentação e endereço.

“Uma coisa que temos notado é que muitas babás que ja têm emprego buscam o app como opção para fazer trabalho extra como folguista e assim reforçar a renda. Muita gente está se cadastrando de olho nas oportunidades do final e inicio do ano, quando babas tiram férias e a família contrata uma substituta temporária”, afirma,