Crie tempo para ser pai sem tecnologia; veja recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria

Por FABIANA FUTEMA
Celular é ferramenta mais utilizada por crianças e jovens para usar internet (Fotolia)
Celular é ferramenta mais utilizada por crianças e jovens para usar internet (Fotolia)

A SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) finalmente divulgou um manual de orientação sobre saúde de crianças e adolescentes na era digital. Além de especificar limites de tempo para exposição à tecnologia por faixa etária, a entidade faz uma série de recomendações aos pais, pediatras, educadores e até mesmo para as crianças e adolescentes.

Conforme o blog Maternar adiantou, a SBP orienta pediatras a prescreverem mais atividade física e menos tecnologia às crianças.

Aos pais, a SBP aconselha que criem tempo para cuidar dos filhos sem recorrer à tecnologia. Essa recomendação se estende a avós, tios e padrinhos. Não é legal entregar um celular ou tablet para a criança toda vez que você quer que ela fique quietinha. Brinque e converse mais com seu filho.

A entidade recomenda que os cuidadores planejem as refeições “sem qualquer uso de equipamentos na mesa”. “Planeje atividades de finais de semana ou férias fora e longe do wi-fi ou de computadores e celulares ou limite o tempo de uso para 1-2 horas/dia para todos”, diz a sociedade brasileira de pediatria, incluindo os adultos na restrição.

É preciso estar atento à classificação indicativa para games, filmes e vídeos “de acordo com a idade e compreensão de seus filhos”.

“Crianças menores de 6 anos precisam ser mais protegidas da violência virtual, pois não conseguem separar a fantasia da realidade. Jogos online com cenas de tiroteios com mortes ou desastres que ganham pontos de recompensa como tema principal não são apropriados em qualquer idade, pois banalizam a violência como sendo aceita para a resolução de conflitos”, diz documento publicado pela entidade.

Para garantir a segurança da criança em ambientes virtuais, a SBP recomenda que os pais evitem “postar fotos de seus filhos para pessoas desconhecidas ou em público”. “Aprenda sobre os meios de configuração de privacidade e selecione como enviar fotos, vídeos ou mensagens. Existem vários sites e aplicativos que ensinam sobre segurança online.”

Para as crianças e adolescentes, a entidade alerta que “nas telas do mundo digital tudo é produzido como fantasia e imaginação para distrair ou afastar do mundo real”. “Portanto, não se deixe enganar no mundo virtual.”

“Não marque bobeira à toa! Cuidado, desconfie de mensagens esquisitas ou confusas. Aprenda a bloquear mensagens ofensivas ou que zombem de você!”, diz o documento.

Aos pediatras, a entidade diz que devem dar orientações sobre uso diário das tecnologias, celulares, videogames e computadores durante as consultas.

“Incluir nos protocolos de atendimento as rotinas que permitam tanto a prevenção como o diagnóstico e tratamento dos danos à saúde física, decorrentes do uso abusivo das tecnologias digitais, tais como: obesidade, distúrbios do sono, lesões articulares, problemas posturais, alterações da visão, perda auditiva, transtornos comportamentais e mentais”, diz a SBP.

 LIMITES DE EXPOSIÇÃO

No documento, a entidade afirma que o “tempo de uso diário ou a duração total/dia do uso de tecnologia digital deve ser limitado e proporcional às idades e às etapas do desenvolvimento cerebral-mental-cognitivo-psicossocial das crianças e adolescentes”.

Veja abaixo os limites sugeridos:

Menores de 2 anos
Desencorajar, evitar e até proibir a exposição passiva em frente às telas digitais, com exposição aos conteúdos inapropriados de filmes e vídeos, principalmente, durante as horas das refeições ou 1-2 h antes de dormir

Entre 2 e 5 anos
Limitar o tempo de exposição às mídias ao máximo de 1 hora por dia

Entre 0 a 10 anos
Crianças dessa faixa etária não devem fazer uso de televisão ou computador nos seus próprios quartos

Adolescentes
Não devem ficar isolados nos seus quartos ou ultrapassar suas horas saudáveis de sono à noite (8-9 horas/noite/fases de crescimento e desenvolvimento cerebral e mental)

Leia aqui o documento completo produzido pela SBP