Sem publicidade infantil, canal conquista famílias que evitam incentivar o consumismo

Por FABIANA FUTEMA
O fotógrafo Ricardo o filho José (Arquivo Pessoal)
O fotógrafo Ricardo o filho José (Arquivo Pessoal)

Pais que assistem TV ao lado dos filhos sabem o quão torturante pode ser a hora do intervalo. É um filme publicitário atrás do outro. Todos mostrando brinquedos que se transformam em objeto de desejo para as crianças. É o momento em que mais se ouve a frase: “compra, por favor”.

Para fugir desse universo de incentivo ao consumo, algumas famílias migraram para o ZooMoo, canal de TV que não tem publicidade de produto infantil.

“Fazer anúncio para criança ficou meio condenável. Mudou a mentalidade dos pais, eles não aceitam que o anunciante peça para comprar. É muito justo que isso seja proibido [direcionar propaganda para o público infantil]”, afirma a diretora de programação do canal, Rosa Crescente.

A diretora-executiva do ZooMoo, Larissa Eberhart, diz que o canal tem uma pegada “verde” e por isso não faz sentido incentivar o consumismo.

“A gente é um canal que fala de animais, de natureza, não tem sentido fazer esse tipo de publicidade. A grande discussão que se faz é se a publicidade infantil vai se sustentar e por quanto tempo. Cada vez vai ter mais empecilho”, conta Larissa.

Como o canal faz para se manter então? As executivas dizem que a receita vem por meio assinaturas, já que ele é distribuído por operadores de TV paga (Sky e NeoTV), mas há também licenciamento dos programas em plataformas digitais.

Entre o público do ZooMoo está o fotógrafo Ricardo Lisboa, 36, e seu filho José, de 3 anos e meio. “Sempre detestei a programação e a publicidade veiculadas em outros canais. Não ter publicidade me chamou a atenção”, diz ele sobre ZooMoo.

Para ele, a programação e a publicidade infantil são feitas “olhando uma para outra”. “Sem querer ser conspiratório, o que parece é que programa incentiva o comercial que vai ser veiculado depois.”

O efeito disso, na opinião do fotógrafo, é o incentivo ao consumo infantil. “A criança vai ao supermercado e vê a bolacha do personagem do programa que assiste. É normal que ela peça para comprar. Sempre procurei olhar para essa cadeia do funcionamento das coisas.”

Ricardo diz que também não incentiva o contato do filho com produtos eletrônicos. “Não acostumados a dar o iPad para ele em restaurante como muitas pessoas fazem.”

Segundo ele, o filho tem contato com esses aparelhos, mas não como mecanismo para ficar quieto.

Sobre a relação com a TV, Ricardo diz que o filho é incentivado a brincar a céu aberto e que sabe a hora de desligar o aparelho. “A TV não fica ligada o tempo todo, como que preenchendo um espaço das casas.”

PROGRAMAÇÃO

O ZooMoo é classificado como um cabeq (Canal Brasileiro de Espaço Qualificado) no Brasil. Isso significa que 50% de sua programação no horário nobre tem de ser nacional.

Rosa diz que o horário nobre infantil é mais extenso do que nas demais faixas: das 11h às 14h e das 17 às 21h.

“É bem difícil cumprir [essa cota de 50%], mas no nosso caso é possível porque a programação infantil, sobretudo a nossa, que é para uma criança em idade pré-escolar, tem um certo grau de repetição” afirma Rosa.

Segundo ela, a base da programação gira em torno de dois temas: natureza e animais. “A gente tem animação, tem bonecos manipuláveis, tem ficção, muita imagem documental e real de animal e natureza.”

O ZooMoo está disponível na SKY, plataformas web, YouTube, além de aplicativo para smartphones e tablets.

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